Terra de Samech

Thursday, October 29, 2009

CAP. V

Capítulo.V.

- Ele não mandou nenhum aviso? – Perguntou uma voz rouca que partia das sombras.

- Desculpe senhor... – Respondeu um homem de cabelos negros e uma grande armadura.

- Mande suas tropas, pegue o orbe e... Não deixe ninguém vivo... – Continuou a voz.

- Sim meu senhor... – Disse o homem de joelhos.

- Agora vá. – Sons de gotas caindo em poças enchiam o ar, o ambiente era escuro e rochoso, com alguns tonéis de madeira perto das paredes e tapetes no chão.

O homem de cabelos negros se levantou e saiu por uma porta improvisada.

Do lado de fora sala, cerca de mil homens descansavam e treinavam, todos exibiam rústicas armaduras e armas amedrontadoras.

- Atenção todos! – Gritou o homem de cabelos negros.

Os homens ao mesmo tempo parar o que estavam fazendo.

- Preparem suas armas, tenho ordens de mestre Liragon! Vamos partir ao anoitecer! – Continuou ele.

- Para onde vamos? – Perguntou um soldado.

- Larbah... – Respondeu o homem.

CAP. IV

Capitulo.IV.

Thirf balançou a cabeça e saiu trotando em direção a saída da vila.

Lanero era ágil e alcançou rapidamente o fim do vilarejo, rajadas de vento frio estremeciam o corpo do garoto enquanto cavalgava.

A marcha do cavalo foi interrompida quando uma flecha atingiu o solo a alguns metros dele que assustado erguer as patas dianteiras, fazendo com que o garoto perdesse o equilíbrio e quase caísse.

Quando Lanero retornou a sua posição normal, Thirf se inclinou e desembainhou rapidamente a pesada espada.

A alguns metros dali, Augusth cavalgava ligeiramente em direção ao garoto.

- Achou que ia viajar sem mim! – Gritou ele.

- Você não pode vir comigo – Disse Thirf embainhando a espada. – É a minha vingança!

- Vai precisar de minha ajuda. – Sussurrou Augusth pegando a flecha do chão e colocando-a na aljava.

- Ele era meu irmão... - Esbravejou o garoto.

- E você é meu amigo! – Gritou Augusth. – Meu único amigo... – Continuou ele agora em voz baixa. – Além de que, não sei de onde eu venho meu passado é um mistério...

Após soltar um longo suspiro, o garoto se virou para o arqueiro e disse:

- Você tem uma vida aqui...

- Seu irmão foi quem me trouxe para cá quando meus pais morreram! Ele e seu pai me criaram! – Berrou Augusth. – Vocês me deram essa vida...

- Obrigado – Disse o garoto sorrindo.

- E... Você é horrível com um arco.

Juntos, iniciaram uma ligeira cavalgada em direção ao bosque.

Manchas de sangue e longas espadas se encontravam no chão perto de Ifted. Uma leve brisa fazia a terra ao redor de Ifted voar nos olhos de Augusth.

O garoto parou e desceu da sela sentindo um pouco de dificuldade.

- O que esta fazendo? – Perguntou Augusth galopando até ele.

Sem dizer uma palavra, o garoto se abaixou e juntou um elmo sujo de terra e o assoprou. Na parte de frente do capacete de ferro havia duas linhas verticais lado-a-lado.

“Aláguilan”. Pensou ele.

Após largar o objeto, Thirf montou novamente em Lanero e voltou a cavalgar para Ifted.

Manchas de luz amareladas gotejavam no chão do bosque.

Thirf e Augusth cavalgavam velozmente em direção a saída oeste. O som agudo de folhas secas sendo esmagadas pairava pelo ar.

“Por que... Por que ele me pediu para ajudá-lo?”. Repetia uma voz na mente de Augusth enquanto seu corcel branco seguia a trilha.

O sol já havia nascido quando alcançaram a saída.

Augusth estava cansado, pois não havia dormido há alguns dias por que estava caçando e só chegou ao funeral de Thoet.

- Para onde vamos – Perguntou ele.

- Primeiro... Vamos atravessar o deserto de Odingland até Darta... – Explicou Thirf apontando para uma porção de dunas há alguns quilômetros há frente. – De lá... Seguiremos de trem até o porto sul... E depois... Para Aláguilan.

- Ficou louco! – Interrompeu o arqueiro. – Atravessar o deserto!

- É o meio mais rápido! – Exclamou Thirf sem tirar os olhos do horizonte.

- Nem os cavalos e nem nós vamos agüentar a viagem! Não tenho mais do que um cantil d’água e uns poucos pedaços de carne... Além disso, lá é o lar do...

- Goroon? – Prosseguiu Thirf em tom irônico.

- Você lembra o que ouve com a minha família...

- Ainda pode voltar... – Disse o garoto em um tom de voz mais sério.

- Não vou voltar! – Gritou Augusth.

- Então vamos. – Thirf iniciou a cavalgada para o deserto sendo seguido pelo seu amigo.

Imagens de um sol escaldante sobre o deserto e uma torre pegando fogo passavam pela mente de Augusth. “Isso é um erro Thirf, isso é um erro...”. Pensou Augusth olhando para seu amigo.

CAP. III

Capitulo.III.

Os punhos do garoto estavam cerrados, prontos para se defender, ele via a silhueta se movendo lentamente em sua direção, quando a sombra atravessou o fecho de luz, o garoto percebeu que quem estava em sua casa era o arqueiro Augusth.

- Não tive oportunidade de te dar os pêsames...- Disse ele coçando a cabeça.

O garoto baixou o olhar e depois encarou novamente seu amigo, ele vestia uma camisa marrom de algodão, longas calças brancas, e, como Thirf já esperava, ele estava com seu habitual arco em seu ombro e sua aljava em suas costas.

- Obrigado. – Disse Thirf tentando esboçar um sorriso.

- Bom... Nos vemos amanha – Sussurrou Augusth cabisbaixo compartilhando a tristeza do garoto.

“Amanha...” pensou Thirf subindo as escadas, ao entrar no quarto, ele olhou mais uma vez para a cama de seu irmão. Uma última lagrima correu em seu rosto. “Vou vingar sua morte...” pensou ele. “Vou te vingar...”.

Com passos firmes, foi em direção há um enorme baú de madeira que ficava aos pés de sua cama. Abrindo-o retirou de dentro uma couraça prateada junto com uma cota de ferro e depois as colocou no chão.

Olhou para a couraça, se lembrou de quando a usava para treinar com Thoet, tirou a camisa, mostrando três cicatrizes alinhadas lado a lado em sua costela direita, Thirf ainda tinha pesadelos com o ogro que as deixou ali.

Depois vestiu a cota de ferro, se arrepiou quando sentiu o metal tocar o seu tórax, pegou a leve couraça e também a vestiu, olhou novamente para o baú e tirou de dentro dele duas manoplas.

Pelo fato delas serem feitas de ferro, eram pesadas e possuíam pouca mobilidade, jogou-as de volta no baú, e o fechou.

Foi em direção ao baú de Thoet, que era quase idêntico ao seu, se lembrara que seu irmão possuía duas manoplas de prata leve e resistente.

Abriu-o começou a procurar, jogou algumas roupas de seu irmão para fora do baú. No fundo, ao lado de um pano enrolado, estavam elas, quando o garoto esticou o braço para pegá-las, o pano começou a brilhar, fazendo ele cair para trás de susto.

Levantou-se lentamente e voltou a olhar para dentro do baú, ao chegar mais perto, o garoto percebeu que o brilho irradiava de alguma coisa dentro do pano. Apesar do medo, Thirf pegou o pano e começou a desenrolá-lo.

Ao final, havia uma esfera amarela, um pouco maior que uma uva, o garoto lembrava-se de quando seu irmão havia trazido aquele item para aquela casa.

“Meu irmão ordenou que eu defendesse essa coisa com a minha própria vida”. Lembrou Thirf. Olhou por mais alguns minutos aquele objeto e depois o enrolou de volta no pano. Pegou uma saca que estava embaixo da cama de Thoet e colocou o objeto dentro, depois, pegou as manoplas e as vestiu.

Caminhou em direção a cômoda e abriu uma gaveta, dentro dela se encontrava uma adaga em uma bainha preta e uma espada pequena em uma bainha preta.

Thirf pegou a adaga e amarrou-a com uma tira de couro em sua coxa esquerda, colocou a espada em sua cintura e desceu as escadas.

Foi até a mesa, pegou o resto do pão o colocou na saca e saiu da casa.

O céu estava alaranjado e o sol raiando, quando Thirf começou a caminhar em direção a saída da cidade.

- Não posso te impedir de ir...- Disse alguém perto dele. – Mais... Aceite um presente.

Rapidamente o garoto olhou de onde vinha àquela voz. Para sua surpresa, parado perto de sua porta estava o Mestre segurando um cavalo manga-larga preto com uma enorme sela.

- Será mais rápido se você for a cavalo. – Continuou o Mestre.

- Não posso aceitar. – Disse o garoto abaixando a cabeça.

- Você deve aceitar – Sussurrou o Mestre indo em direção ao garoto. – Seu pai gostaria que eu o lhe desse.

“Meu pai”. Pensou o garoto olhando para o cavalo. Voltou o olhar para o velho e disse:

- Se é à vontade de meu pai...

Com um sorriso no rosto, o Mestre lhe entregou as rédeas.

- Seu nome é Lanero – Disse ele.

O garoto subiu lentamente no animal. Olhou a sela e percebeu vários itens amarrados nela.

Seus olhos arregalaram quando viram uma enorme espada com um punho prateado. Desembainhou-a lentamente, a arma era pesada e em sua grossa lamina haviam algumas runas gravadas.

- É sua? – Perguntou o garoto colocando a espada novamente na bainha.

- Agora é sua. – Respondeu o velho.

- Então...- Disse Thirf envergonhado. – Quero que você fique com a minha.

O garoto tirou sua espada da cintura e entregou para o velho que sorriu levemente ao recebê-la.

- Lembre-se meu jovem...- Disse o Mestre segurando com as duas mãos a espada embainhada. – Nem sempre o que a gente procura é o que a gente encontra.

Thursday, October 22, 2009

CAP. II

Capitulo.II.

Uma grande águia acinzentada despencava em um vôo rasante em direção a um enorme castelo de pedra, amarada em sua pata esquerda, havia um pedaço de pergaminho, ao entrar, o animal foi direto para um poleiro dourado que ficava ao lado de um enorme trono.

Sentado confortavelmente nele, estava um homem alto, em seu rosto, crescia uma barba branca bem cortada, uma brilhante coroa se situava acima de seus ralos cabelos, apesar de ainda ser de madrugada, o homem estava plenamente acordado, a expectativa não o deixava dormir.

Fez um carinho no animal sentindo suas penas ásperas, depois, vagarosamente, foi desenrolando o pergaminho que estava envolto em sua pata.

Seus olhos arregalaram-se ao ler o pedaço de papel, seu medo havia se concretizado.

“O orbe esta perdido...” pensou ele. Suas observações foram interrompidas quando um homem corpulento entrou em sua sala carregando uma travessa de prata.

- Aqui esta seu desjejum, Lorde Glagra – Disse ele trazendo a travessa até o rei.

CAP. I

Capitulo.I.

Um garoto acorda assustado, seus olhos em um tom castanho-claro estavam arregalados e suas sobrancelhas arqueadas, seus cabelos vermelhos caiam sobre seus ombros em pontas anguladas, sua camisa era branca e estava amarrotada, suas pernas estavam cobertas por um cobertor cinzento, ele estava em uma cama, num cômodo de madeira rústica, olhou para a direita e viu pela janela o manto negro da noite, olhou para a esquerda e viu uma cama vazia, após soltar um suspiro, deitou-se e cobriu-se até o pescoço.

“Onde esta você Thoet...”. Pensou ele ainda de olhos abertos, após um longo tempo olhando para o teto de madeira, o garoto e fechou os olhos.

Raios de sol rasgavam o vidro fino de sua janela e penetravam em suas pálpebras fazendo-o acordar, tirando o cobertor de cima de si e jogando para um lado o garoto se levantou e foi até uma cômoda de pinho com um enorme espelho, encima da cômoda estava uma bacia de prata e ao lado um jarro de porcelana branca, o garoto pegou o jarro e encheu a bacia com água limpa e pura, colocando as mãos dentro do recipiente, o garoto sentiu a temperatura fria da água.

Após se limpar, ele desceu lentamente as escadas de pedra, pegou um pedaço de pão, que estava encima de uma mesa de madeira envernizada, após comer, o garoto abriu a porta, e respirou o ar gelado das montanhas que cercavam seu vilarejo fazendo com que a única entrada fosse o bosque.

Depois de sair de casa e fechar a porta ele observou a vila, ela tinha enormes ruas de cascalho, e todas as casas eram extremamente iguais, feitas de madeira e pedras, não muito grandes e todas com um aspecto simpático, ao olhar para uma esquina, o garoto viu uma figura alta e magra, com roupas pretas e barba longa, seu olhar era fixo nele, que o deixou assustado, ele tentou desviar o olhar, depois olhou novamente para a esquina e percebeu que o sujeito não estava mais lá.

Começou a caminhar em direção ao homem, ao chegar lá, percebeu uma aglomeração de pessoas eufóricas a alguns metros dali, ele já esperava a chegada dos mercadores, mais era cedo demais, curioso, foi andando até a multidão, antes de chegar, uma enorme mão emergiu das sombras e agarrou seu ombro direito, rapidamente ele olhou e percebeu que quem o segurava era o oráculo, um homem alto e magro, com olhos brancos e sem vida, suas vestes eram negras e sua barba longa e branca, tinha em sua cabeça um capuz que escondia seus cabelos também grisalhos.

O garoto não sabia de onde tinha vindo aquele homem, mais o respeitava, ele não conhecia seu nome, pois todas as pessoas da vila o chamavam de “Mestre”.

- Meus pêsames... Jovem Thirf – Disse-lhe com uma voz rouca, Thirf não sabia sobre o que o Mestre estava falando, mas, ele nunca errava.

Perplexo, o garoto olhou para a multidão, e quando voltou a olhar para onde estava o oráculo, ele já havia sumido em meio ao breu.

Ainda confuso, o garoto voltou a caminhar em direção a aglomeração, depois de esbarrar em algumas pessoas e chegar ao centro da multidão, Thirf pode ver um homem jovem caído no chão, sua armadura estava suja de barro e de sangue, seus cabelos vermelhos estavam esparramados sobre o cascalho, no seu ombro direito se situava uma flecha, e logo mais acima, na garganta, avia um enorme corte.

Ao vê-lo, o garoto caiu de joelhos no chão e agarrou a mão esquerda do homem dizendo:

- Thoet – Suspirou – Meu irmão...

- Dizem que ele foi encontrado ao lado de alguns soldados de Aláguilan – Sussurrou alguém perto dali.

Uma lagrima caiu do rosto de Thrif, sua mão direita segurava firme os dedos sem vida do irmão, a pele pálida de Thoet o fazia parecer mais velho, o silêncio do momento foi quebrado quando dois homens chegaram esbarrando, ambos usavam macacões sujos de terra, o mais alto carregava uma maca branca acima da cabeça, o outro mais baixo, tinha uma careca brilhante.

O sujeito alto anunciou:

- A cova já esta pronta!

Thirf conhecia aquele ritual, pois já o havia visto varias vezes, o garoto concordou com a cabeça.

Ao fazer isso, o homem mais alto tirou a maca de cima de sua cabeça e colocou ao lado do corpo de Thoet, o mais baixo, levantou o corpo e o colocou na maca, naquele momento a mente de Thirf estava confusa, o mundo parecia girar, saber que seu irmão não voltaria o deixava assustado, ele sentia uma coisa dentro de si que queimava...Fúria, medo, ódio.

“Vingança?” Se perguntou.

Os dois homens levantaram a maca e começaram a andar em direção ao cemitério da vila, eles conduziam a multidão em passos lentos porem firme.

A alguns metros do bosque Ifted se situava o cemitério, era um local escuro, haviam tumbas cobertas de musgo e enormes árvores cresciam ao seu redor. Ficando a alguns metros dele, Thirf pode ver o oráculo ao lado de uma grande cova, ele estava segurando uma tocha com a mão direita, quando entraram no cemitério, o Mestre cravou a tocha no chão e acenou para eles, apesar de ser cego, Thirf e os outros moradores da vila sabiam que isso não o impedia de enxergar mais longe do que eles.

Quando o garoto se posicionou à esquerda da cova, os dois homens colocaram cuidadosamente o corpo de Thoet e depois cobriram-no de palha.

Feito isso, o Mestre colocou as duas mãos sobre a tocha e disse:

- Tzopo!

De repente, uma fumaça negra começou a exalar da tocha, seguida de uma chama brilhante, depois disso, o Mestre olhou para Thirf e fez sinal com a cabeça.

O garoto foi em direção ao oráculo, pegou a tocha e jogou na palha seca que estava sobre o corpo de seu irmão.

Depois Thirf voltou ao seu lugar. As chamas alaranjadas queimavam alto, todos os aldeões estavam parados olhando para o fogo.

- Adui hai ul alipo, zua amla pakoo’u a mishechqaqe, há el yag – Disse o Mestre esticando os braços e abrindo as mãos.

Logo, as chamas começaram ficar azuis.

- Eu o vejo fazendo esse ritual desde que era uma criança...- Disse alguém perto de Thirf. – Nunca entendi uma palavra do que esse velho disse – Continuou ele.

Thirf sabia que o dono daquela voz era Augusth, ele o conhecia desde a morte de seu pai, ele tinha cabelos loiros e médios, seus olhos azuis contrastavam com sua pele branca, ele sempre andava com uma aljava carregada nas suas costas e um arco em seu ombro esquerdo. Augusth era apenas alguns anos mais velho que Thirf, que possuía dezesseis anos.

Uma grande luz começou a emanar de dentro da cova, o garoto observava-a atentamente, uma vez lhe disseram que aquela luz era o espírito que havia iniciado sua jornada pela eternidade, os punhos de Thirf estavam serrados, seus longos cabelos cobriam seu olho esquerdo, por dentro estava chorando, porem, não conseguia derramar uma lagrima.

A luz finalmente se extinguiu dando lugar ao escuro da noite, quando as chamas estavam baixas, os dois homens que haviam trazido o corpo de Thoet até ali encheram a cova de terra.

- Vamos embora! Ele precisa de um momento para pensar...- Disse o Mestre fazendo sinal para todos saírem.

Lentamente, as pessoas foram saindo do cemitério, o garoto estava imóvel, olhando para o tumulo de seu irmão, sonhos e lembranças, fervilhavam em sua mente como gotas de chuva caindo em solo plano.

Thoet ensinara tudo sobre a arte da guerra para seu irmão, Thirf devia muito a ele.

Após um longo suspiro, o garoto partiu de volta para o vilarejo, antes de sair do cemitério, ele deu uma ultima olhada para o tumulo e partiu.

A vila estava deserta e mal iluminada, a lua cheia brilhava fortemente no céu escuro, o garoto havia passado a vida inteira naquele lugar, hoje porem, ele não se lembrava nem o caminho de sua casa. Começou a vagar pela escuridão, espremendo seus olhos para não se chocar com alguma parede, estremeceu ao sentir o vento frio batendo em sua pele.

O dia estava quase amanhecendo quando Thirf chegou a sua casa, ele estranhou o fato da porta estar entreaberta mais não deu muita importância, empurrou-a lentamente, as dobradiças enferrujadas soaram um rangido baixo. Quando fechou a porta, suspirou ao lembrar novamente de seu irmão. Dentro de sua casa, estava mais escuro do que do lado de fora a não ser por ou fecho de luz que penetrava por uma janela que ficava perto da escada.

Seu coração acelerou e seu corpo começou a tremer ao ver uma silhueta sentada em sua escada.

Ao perceber a chegada do garoto, o homem se levantou e começou a caminhar em sua direção.

Prologo

Prólogo

Um guerreiro cavalga por uma estrada velha e gasta, seus olhos estavam firmes no horizonte, o pôr-do-sol resplandecia sua armadura em um vermelho ofuscante, quase tão vermelho quanto seus cabelos que dançavam no vento frio de fim de tarde, no lado esquerdo de sua cintura pendia uma bainha marrom com uma espada de punho dourado, do outro lado de sua cintura estava uma outra bainha, ela era um pouco menor e abrigava uma adaga de punho prateado. Ele seguia lentamente sobre um campo de grama verde e baixa. As poucas árvores pelo caminho não perderam muitas folhas nesse outono, mas, estavam todas marrons e secas.

A alguns metros à frente, depois de um pequeno morro, estava o bosque Ifted. Uma estrada cortava o centro do bosque facilitando o percurso de mercadores entre outros. O guerreiro desceu com cuidado o morro e seguiu galopando lentamente até Ifted. A entrada do bosque era escura, árvores enormes cresciam perto da estrada, que agora estava com alguns ramos de grama espalhados pelo seu percurso, um silêncio reinava no lugar, sendo quebrado apenas pelos sons dos gafanhotos.

O guerreiro continuou seu leve cavalgar em direção ao fim do bosque, ele olhava para os lados com um olhar desconfiado, sons de galhos se movendo a sua frente o fizeram parar e desembainhar sua espada com sua mão direita. Um leve assovio ecoou antes de uma flecha atravessar seu ombro direito obrigando-o a largar a espada, o guerreiro rosnou baixo e cravou os calcanhares em seu cavalo, - Um belo alazão marrom. - que saiu em disparada. A saída da floresta estava a alguns metros à frente, o guerreiro galopava rapidamente segurando firme com a mão esquerda nas rédeas do cavalo.

Depois de desviar de alguns cipós e arbustos ele saiu dos limites do bosque, mas foi surpreendido por duas colunas de arqueiros com três em cada, os arqueiros vestiam grandes armaduras, elmos brilhantes que ostentavam um emblema de duas linhas verticais lado a lado, todos eles estavam preparados para atirar, entre as duas colunas estava um homem cabisbaixo apoiado com o braço esquerdo em uma espada de punho negro e botão prateado, com uma longa lâmina também prateada que tinha a ponta cravada no chão, ele vestia uma roupa de couro preto, era alto e aparentava ser forte, no lado esquerdo de sua cintura pendia uma bainha negra vazia, seus cabelos eram longos e loiros.

Quando o guerreiro parou, o homem balançou a cabeça e disse com uma voz rouca:

- Olá Thoet...

Thoet arregalou os olhos e perguntou:

- Quem é você? Como sabe meu nome?

O homem soltou uma risada forçada e levantou a cabeça mostrando seus olhos azuis e uma cicatriz que marcava sua bochecha direita. – Meu nome é Sydrath, sou príncipe de Aláguilan... - Antes que ele pudesse continuar Thoet gritou: - Háried maldito!

Sydrath fechou os olhos e balançou a cabeça novamente. – Não sou membro de partido algum, não me envolvo na briga de meu pai. – Ele fez uma pausa. – A questão é... Á alguns dias... Um item foi roubado de Aláguilan e... Acho que você sabe onde ele está. – Thoet estava ofegante, suor corria sobre seu rosto, ele estava pressionando seu braço ferido com a mão esquerda, seu olhar era tenso e amedrontado. – Não sei do que está falando...- Disse ele entre os dentes, Sydrath suspirou e abaixou a cabeça, sua mão direita se fechou com força e depois se abiu, ele deu meia volta mostrando mais uma bainha negra com uma espada de punho similar a outra, ele deu alguns passos para frente e ordenou: - Peguem-no!

O arqueiro que estava no meio de uma das colunas disparou uma flecha que acertou o pescoço do cavalo de Thoet, que caiu morto, antes que outra flecha fosse disparada Sydrath grita: - Imbecis! Não o matem! Ele sabe onde está o orbe!

Imediatamente os arqueiros largaram seus arcos e desembainharam suas espadas, Thoet estava abaixado ao lado do corpo de seu cavalo, ele segurava firme o punho de sua adaga, os arqueiros se dividiram deixando o sem saída, o primeiro atacou pela direita tentando acertar o seu braço ferido, mas antes disso, Thoet puxou a sua adaga com a mão esquerda e defendeu o ataque, antes que o arqueiro pudesse se mexer, Thoet girou e cortou garganta do pobre homem que caiu de joelhos, o segundo veio correndo de frente para ele, mas quando estava a alguns passos o guerreiro jogou a sua adaga que acabou acertando o olho direito do arqueiro, antes que mais algum deles o ataca-se, Thoet correu pegou a espada que Sydrath estava apoiado e atacou outro arqueiro cortando de cima para baixo tentando acertar a cabeça do oponente, antes que a espada o atingisse, o homem ergueu a sua espada e defendeu-se do ataque, mas Thoet continuou pressionando a lâmina de sua espada contra a de seu inimigo. Um longo tempo seguiu-se até que Thoet acertou um golpe com o pé direito no peito do arqueiro que caiu de costas, não dando tempo para ele se levantar Thoet colocou a ponta de sua espada no pescoço do homem e gritou: - Não se movam ou eu o mato!

No mesmo instante os outros arqueiros pararam e olharam para Sydrath, que através de um gesto ordenou a seus homens que atacassem... Thoet tirou a espada da garganta do homem caído. O primeiro arqueiro atacou de cima para baixo, o guerreiro esquivou para a esquerda e empurrou seu inimigo, então se virou e acertou um chute no queixo do arqueiro que estava no chão fazendo seu pescoço quebrar, depois voltou seu olhar para o homem que tinha empurrado antes, ele estava a alguns metros dele, Thoet começou a correr em sua direção, o homem atacou da direita para a esquerda no alto, mas o guerreiro se abaixou e correu na direção do outro arqueiro que estava perto, pegando-o de surpresa, Thoet cravou a espada com força no peito do inimigo perfurando sua armadura, o arqueiro cambaleou e caiu de costas no chão, Thoet colou o pé em cima do peito do homem caído e puxou a espada, então olhou para direita e viu mais um arqueiro que em vez de atacar recuou e correu para o bosque.

Frente a frente com o ultimo arqueiro, Thoet com a respiração ofegante e a testa coberta de suor começou a girar a espada com a mão esquerda, e depois encostou a espada levemente no chão, o arqueiro, também muito cansado, suspirou levemente e avançou, Thoet esperou o ataque totalmente imóvel, o arqueiro brandiu sua espada de baixo para cima, virando e abaixando a espada, Thoet conseguiu se defender do ataque, então o arqueiro esgueirou para trás e atacou novamente agora de cima para baixo, Thoet colocou a espada na frente, porém o ataque era muito forte, ao ver que a espada estava escapando entre seus dedos, o guerreiro pulou para a esquerda e deu um giro, a espada voou longe de mais para que Thoet pudesse alcançá-la.

Sydrath observou a cena com um sorriso sarcástico no rosto, o guerreiro deu alguns passos para trás, desesperado.

Sydrath riu e gritou: - Então... Thoet vai se entregar? - Thoet lançou um olhar fulminante para Sydrath que exibia um largo sorriso. O príncipe entendeu aquilo como um “não”.

Thoet voltou a olhar para o arqueiro que estava se aproximando, ele observou em volta e notou que não havia nada que pudesse usar para se defender, fechou os olhos e suspirou lentamente tentando organizar seus pensamentos, olhou novamente à volta, de repente um sorriso travesso tomou conta de sua face.

O arqueiro levantou suas largas sobrancelhas e observou atento aos movimentos do guerreiro, Thoet começou a se agachar lentamente até que seu joelho direito encostou-se no chão seguido por sua mão esquerda, sem dizer nada o arqueiro foi andando lentamente ate o guerreiro. Quando ficou a alguns passos ergueu a espada com as duas mãos, antes que ele pudesse realizar o ataque, Thoet pegou um punhado de terra e jogou nos olhos do arqueiro que largou a espada para limpá-los.

Thoet soltou um leve riso quando seu inimigo recuou xingando em voz baixo. Ainda agachado, o guerreiro pegou a espada e acertou um golpe na parte inferior do joelho esquerdo fazendo o arqueiro cair de joelhos.

Com um pulo, Thoet se levantou, com um olhar triunfante, ele girou um pouco o pescoço para ver Sydrath que estava visivelmente impressionado, então o guerreiro voltou seu olhar para seu inimigo, e com um golpe rápido e impiedoso, a lâmina atravessou o pescoço do arqueiro fazendo sua cabeça rolar.

Começando a cambalear, Thoet largou a espada e colocou a mão esquerda na flecha em seu ombro, fechando os olhos, Thoet puxou-a soltando um esguicho de sangue, pela primeira vez, o guerreiro sentiu o liquido quente que escorria de sua ferida. Olhou mais uma vez para Sydrath e caiu de bruços.

Desembainhando sua espada com a mão direita, Sydrath começou a andar na direção do guerreiro caído. Segurou-o pelos cabelos e levantou sua cabeça encostando a lâmina no lado esquerdo do pescoço de Thoet.

- Onde está o orbe? – Perguntou ele, Thoet olhou em seus olhos e riu apesar do medo que sentia.

Sydrath respirou fundo e perguntou novamente:

- Onde está o orbe? – Thoet estava com a respiração curta e rápida. O silêncio mais uma vez predominou.

Com fúria nos olhos, o homem puxou a espada e manchou sua lamina com o sangue do guerreiro, após embainhar a espada novamente, Sydrath começou a adentrar o bosque.

3 cap por semana... \o/

Então galera... Passei um bom tempo sem escrever TS =/ Metade pq estou sem tempo, por causa da minha banda e dos meus ensaios de contra-baixo. Outra metade pq eu sou meio relapso =b

Enfim, graças ao incentivo da minha prof de portugues ki comentou agora pco, e tambem, CLARO o incentivo da minha querida amiga Marina ^^ vou voltar a escrever \o/ e... postarei 3 capítulos (se eu conseguir...) por semana.

Espero que gostem e acompanhem a jornada de Thirf pelo continente misterioso e mágico de Samech.