CAP. VIII
Capitulo.VIII.
Thirf pulara da cama de madeira e feno. Estava coberto até a cintura por um lençol branco e estava sem camisa. Podia ouvir som de água corrente e um outro som que não conseguira identificar. Sua mente estava confusa, a ultima coisa que se lembrara era do seu desespero em salvar sua vila.
O sol começava a penetrar mais forte através das finas cortinas de seda azul.
Voltou seu olhar para o lado direito e percebeu que Augusth dormira no leito ao lado. “Larbah” Repetia sua mente enquanto ia se levantando. Meteu os pés no frio assoalho de cedro envernizado. Bocejou e coçou a cabeça, ainda meio zonzo, deu três longos passos e agarrou o arqueiro pelos ombros.
- Augusth... Augusth! – Thirf chacoalhara com força Augusth. – O que aconteceu com Larbah? Como chegamos até aqui? Acorde!
Nada
- Augusth! Onde estamos! – Berrando agora.
Augusth foi abrindo os olhos lentamente apesar da sua cabeça balançar como um brinquedo.
- Acorde! – Thirf o jogara na cama.
- O que foi? – Indagou Augusth puxando o lençol para cima de sua cabeça.
Furioso, Thirf empurrou o arqueiro que produziu um estrondo ao se chocar com o chão.
Pisando duro no chão, o garoto foi para o lado da cama.
- Ta bom! Calma! – Gritou Augusth. – Estamos em Kindol!
“Kindol?”. Perguntou-se Thirf.
Com um susto, Augusth foi prensado na parede por Thirf.
- Kindol? – Berrava. – Você nos desviou mais de dez milhas ao norte...
- O Mestre me mandou te trazer pra cá! – Augusth empurrara Thirf e continuara falando: - Ele disse que você tinha algo a fazer! Algo maior do que eu, algo maior você, algo maior até que essa vingança!
Thirf fez cara de confuso.
- Chega... – Disse o arqueiro balançando a cabeça: - Reclamar não vai mudar nada, nós precisávamos mesmo de mais água e mantimento para atravessar o deserto.
O garoto vez careta, mas percebeu que no fundo Augusth estava certo. Porém a duvida ainda pulava em sua mente: “No que o Mestre tem parte nisso?”. Foi andando meio apresado até seu leito e pegou sua cota de ferro e a vestiu.
- Que lugar é esse? – Perguntou olhando em volta.
- Hospedaria Velhis Bebudis – Disse Augusth vestindo suas botas.
- Velho bêbado? – Thirf perguntara novamente.
- Sim... Eu acho... – Respondeu o Arqueiro pondo-se em pé. – Você entende elfíco?
- Isso é Lucrif... A língua dos gnomos.
Augusth assentiu com a cabeça.
- Como você pagou por isso? – O jovem procurava por sua couraça.
- Tinha alguns hinás de bronze... – Respondeu o arqueiro colocando sua saca nas costas: - Acho que ainda tenho mais uns cinco hinás de ouro, mais é só para uma emergência.
- Claro... – Thirf inspecionou o orbe e depois o embalou cuidadosamente.
Após alguns minutos arrumando seus pertences Thirf e Augusth saíram do quarto. Desceram por uma longa escadaria e foram recebidos com um sorriso de uma de uma bela recepcionista. Thirf sorriu de volta, Augusth só fez uma reverencia e saiu sendo seguido pelo jovem guerreiro que demorou a tirar os olhos da moça.
Uma enorme sombra foi cobrindo lentamente toda cidade. Os dois olharam para o céu, assim como a maioria das pessoas que estavam nas ruas.
- O que é... – Augusth não conseguia falar por tamanha fascinação. A sombra era produzida por um enorme castelo de pedra bruta. Ele era construído sobre uma superfície de ônix puro e brilhante. Flutuava magicamente produzindo um som estranho.
- Este, meu caro amigo, é o castelo de Shinfrind o deus do ar. – Disse Thirf olhando de soslaio para Augusth. – Meu irmão me falou dele... É incrível não é?
Augusth só suspirou estupefato.
Lentamente o castelo ia se distanciando da cidade deixando o sol brilhar sobre as águas do Tunari. Uma enorme roda d’água movia-se preguiçosamente. Mais ao norte o oceano se estendia até onde à vista alcançava, era hipnotizante. Era a primeira visita de Thirf a Kindol e, a primeira visita dela ao mar. Thoet havia lhe relatado varias vezes sobre experiências extraordinárias sobre o oceano e seu regente, Seand. Thirf sorriu ao se lembrar.
Ao voltar seu olhar para o sudoeste. “Casa”. Pensou. As montanhas Fild pouco apareciam no horizonte, pequenas perto da visão que tinha do vulcão Brêod.
- Vamos – Augusth rompeu sua distração. -, nossos cavalos estão em um estábulo nas proximidades do cais.
Thirf olhou pela ultima vez o magnífico castelo voador, que agora estava sobre o oceano norte. Arregalou os olhos quando Seand saltou das profundezas e planou sobre o castelo para depois voltar para as águas, sua aparência era de uma serpente enorme, com finas membranas no final de sua calda e sua cabeça parecia a de um dragão. Escamas azuis cobriam toda a extensão do seu longo corpo.
- Viu aquilo? – Perguntou Thirf entusiasmado.
- Vi o quê? – Devolveu a pergunta para Thirf.
- Seand! Ele saltou por cima do castelo e... – Ele foi interrompido por um riso forçado de Augusth.
Thirf levou todo o caminha até o estábulo tentando convencer Augusth de que testemunhara. O estábulo ficava em frente a uma taberna chamada “A Bigorna”.
- Que tal nós experimentarmos a cerveja desse lugar? – Perguntou Augusth
- Augusth... Nos já nos demoramos demais...E também não temos dinheiro. – Argumentou Thirf.
- A caravana dos guerreiros deve estar em Aláguilan nesse tempo, e, um hiná de ouro já deve servir pra pagar algumas canecas para nós dois...
Thirf bufou.
- Vamos lá... – Disse ele dando um tapinha no ombro do jovem.
- Uma caneca, Augusth, somente uma... – Augusth sorriu e o puxou para dentro do recinto.


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