CAP. IV
Capitulo.IV.
Thirf balançou a cabeça e saiu trotando em direção a saída da vila.
Lanero era ágil e alcançou rapidamente o fim do vilarejo, rajadas de vento frio estremeciam o corpo do garoto enquanto cavalgava.
A marcha do cavalo foi interrompida quando uma flecha atingiu o solo a alguns metros dele que assustado erguer as patas dianteiras, fazendo com que o garoto perdesse o equilíbrio e quase caísse.
Quando Lanero retornou a sua posição normal, Thirf se inclinou e desembainhou rapidamente a pesada espada.
A alguns metros dali, Augusth cavalgava ligeiramente em direção ao garoto.
- Achou que ia viajar sem mim! – Gritou ele.
- Você não pode vir comigo – Disse Thirf embainhando a espada. – É a minha vingança!
- Vai precisar de minha ajuda. – Sussurrou Augusth pegando a flecha do chão e colocando-a na aljava.
- Ele era meu irmão... - Esbravejou o garoto.
- E você é meu amigo! – Gritou Augusth. – Meu único amigo... – Continuou ele agora em voz baixa. – Além de que, não sei de onde eu venho meu passado é um mistério...
Após soltar um longo suspiro, o garoto se virou para o arqueiro e disse:
- Você tem uma vida aqui...
- Seu irmão foi quem me trouxe para cá quando meus pais morreram! Ele e seu pai me criaram! – Berrou Augusth. – Vocês me deram essa vida...
- Obrigado – Disse o garoto sorrindo.
- E... Você é horrível com um arco.
Juntos, iniciaram uma ligeira cavalgada em direção ao bosque.
Manchas de sangue e longas espadas se encontravam no chão perto de Ifted. Uma leve brisa fazia a terra ao redor de Ifted voar nos olhos de Augusth.
O garoto parou e desceu da sela sentindo um pouco de dificuldade.
- O que esta fazendo? – Perguntou Augusth galopando até ele.
Sem dizer uma palavra, o garoto se abaixou e juntou um elmo sujo de terra e o assoprou. Na parte de frente do capacete de ferro havia duas linhas verticais lado-a-lado.
“Aláguilan”. Pensou ele.
Após largar o objeto, Thirf montou novamente em Lanero e voltou a cavalgar para Ifted.
Manchas de luz amareladas gotejavam no chão do bosque.
Thirf e Augusth cavalgavam velozmente em direção a saída oeste. O som agudo de folhas secas sendo esmagadas pairava pelo ar.
“Por que... Por que ele me pediu para ajudá-lo?”. Repetia uma voz na mente de Augusth enquanto seu corcel branco seguia a trilha.
O sol já havia nascido quando alcançaram a saída.
Augusth estava cansado, pois não havia dormido há alguns dias por que estava caçando e só chegou ao funeral de Thoet.
- Para onde vamos – Perguntou ele.
- Primeiro... Vamos atravessar o deserto de Odingland até Darta... – Explicou Thirf apontando para uma porção de dunas há alguns quilômetros há frente. – De lá... Seguiremos de trem até o porto sul... E depois... Para Aláguilan.
- Ficou louco! – Interrompeu o arqueiro. – Atravessar o deserto!
- É o meio mais rápido! – Exclamou Thirf sem tirar os olhos do horizonte.
- Nem os cavalos e nem nós vamos agüentar a viagem! Não tenho mais do que um cantil d’água e uns poucos pedaços de carne... Além disso, lá é o lar do...
- Goroon? – Prosseguiu Thirf em tom irônico.
- Você lembra o que ouve com a minha família...
- Ainda pode voltar... – Disse o garoto em um tom de voz mais sério.
- Não vou voltar! – Gritou Augusth.
- Então vamos. – Thirf iniciou a cavalgada para o deserto sendo seguido pelo seu amigo.
Imagens de um sol escaldante sobre o deserto e uma torre pegando fogo passavam pela mente de Augusth. “Isso é um erro Thirf, isso é um erro...”. Pensou Augusth olhando para seu amigo.


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