Prologo
Prólogo
Um guerreiro cavalga por uma estrada velha e gasta, seus olhos estavam firmes no horizonte, o pôr-do-sol resplandecia sua armadura em um vermelho ofuscante, quase tão vermelho quanto seus cabelos que dançavam no vento frio de fim de tarde, no lado esquerdo de sua cintura pendia uma bainha marrom com uma espada de punho dourado, do outro lado de sua cintura estava uma outra bainha, ela era um pouco menor e abrigava uma adaga de punho prateado. Ele seguia lentamente sobre um campo de grama verde e baixa. As poucas árvores pelo caminho não perderam muitas folhas nesse outono, mas, estavam todas marrons e secas.
A alguns metros à frente, depois de um pequeno morro, estava o bosque Ifted. Uma estrada cortava o centro do bosque facilitando o percurso de mercadores entre outros. O guerreiro desceu com cuidado o morro e seguiu galopando lentamente até Ifted. A entrada do bosque era escura, árvores enormes cresciam perto da estrada, que agora estava com alguns ramos de grama espalhados pelo seu percurso, um silêncio reinava no lugar, sendo quebrado apenas pelos sons dos gafanhotos.
O guerreiro continuou seu leve cavalgar em direção ao fim do bosque, ele olhava para os lados com um olhar desconfiado, sons de galhos se movendo a sua frente o fizeram parar e desembainhar sua espada com sua mão direita. Um leve assovio ecoou antes de uma flecha atravessar seu ombro direito obrigando-o a largar a espada, o guerreiro rosnou baixo e cravou os calcanhares em seu cavalo, - Um belo alazão marrom. - que saiu
Depois de desviar de alguns cipós e arbustos ele saiu dos limites do bosque, mas foi surpreendido por duas colunas de arqueiros com três em cada, os arqueiros vestiam grandes armaduras, elmos brilhantes que ostentavam um emblema de duas linhas verticais lado a lado, todos eles estavam preparados para atirar, entre as duas colunas estava um homem cabisbaixo apoiado com o braço esquerdo em uma espada de punho negro e botão prateado, com uma longa lâmina também prateada que tinha a ponta cravada no chão, ele vestia uma roupa de couro preto, era alto e aparentava ser forte, no lado esquerdo de sua cintura pendia uma bainha negra vazia, seus cabelos eram longos e loiros.
Quando o guerreiro parou, o homem balançou a cabeça e disse com uma voz rouca:
- Olá Thoet...
Thoet arregalou os olhos e perguntou:
- Quem é você? Como sabe meu nome?
O homem soltou uma risada forçada e levantou a cabeça mostrando seus olhos azuis e uma cicatriz que marcava sua bochecha direita. – Meu nome é Sydrath, sou príncipe de Aláguilan... - Antes que ele pudesse continuar Thoet gritou: - Háried maldito!
Sydrath fechou os olhos e balançou a cabeça novamente. – Não sou membro de partido algum, não me envolvo na briga de meu pai. – Ele fez uma pausa. – A questão é... Á alguns dias... Um item foi roubado de Aláguilan e... Acho que você sabe onde ele está. – Thoet estava ofegante, suor corria sobre seu rosto, ele estava pressionando seu braço ferido com a mão esquerda, seu olhar era tenso e amedrontado. – Não sei do que está falando...- Disse ele entre os dentes, Sydrath suspirou e abaixou a cabeça, sua mão direita se fechou com força e depois se abiu, ele deu meia volta mostrando mais uma bainha negra com uma espada de punho similar a outra, ele deu alguns passos para frente e ordenou: - Peguem-no!
O arqueiro que estava no meio de uma das colunas disparou uma flecha que acertou o pescoço do cavalo de Thoet, que caiu morto, antes que outra flecha fosse disparada Sydrath grita: - Imbecis! Não o matem! Ele sabe onde está o orbe!
Imediatamente os arqueiros largaram seus arcos e desembainharam suas espadas, Thoet estava abaixado ao lado do corpo de seu cavalo, ele segurava firme o punho de sua adaga, os arqueiros se dividiram deixando o sem saída, o primeiro atacou pela direita tentando acertar o seu braço ferido, mas antes disso, Thoet puxou a sua adaga com a mão esquerda e defendeu o ataque, antes que o arqueiro pudesse se mexer, Thoet girou e cortou garganta do pobre homem que caiu de joelhos, o segundo veio correndo de frente para ele, mas quando estava a alguns passos o guerreiro jogou a sua adaga que acabou acertando o olho direito do arqueiro, antes que mais algum deles o ataca-se, Thoet correu pegou a espada que Sydrath estava apoiado e atacou outro arqueiro cortando de cima para baixo tentando acertar a cabeça do oponente, antes que a espada o atingisse, o homem ergueu a sua espada e defendeu-se do ataque, mas Thoet continuou pressionando a lâmina de sua espada contra a de seu inimigo. Um longo tempo seguiu-se até que Thoet acertou um golpe com o pé direito no peito do arqueiro que caiu de costas, não dando tempo para ele se levantar Thoet colocou a ponta de sua espada no pescoço do homem e gritou: - Não se movam ou eu o mato!
No mesmo instante os outros arqueiros pararam e olharam para Sydrath, que através de um gesto ordenou a seus homens que atacassem... Thoet tirou a espada da garganta do homem caído. O primeiro arqueiro atacou de cima para baixo, o guerreiro esquivou para a esquerda e empurrou seu inimigo, então se virou e acertou um chute no queixo do arqueiro que estava no chão fazendo seu pescoço quebrar, depois voltou seu olhar para o homem que tinha empurrado antes, ele estava a alguns metros dele, Thoet começou a correr em sua direção, o homem atacou da direita para a esquerda no alto, mas o guerreiro se abaixou e correu na direção do outro arqueiro que estava perto, pegando-o de surpresa, Thoet cravou a espada com força no peito do inimigo perfurando sua armadura, o arqueiro cambaleou e caiu de costas no chão, Thoet colou o pé em cima do peito do homem caído e puxou a espada, então olhou para direita e viu mais um arqueiro que em vez de atacar recuou e correu para o bosque.
Frente a frente com o ultimo arqueiro, Thoet com a respiração ofegante e a testa coberta de suor começou a girar a espada com a mão esquerda, e depois encostou a espada levemente no chão, o arqueiro, também muito cansado, suspirou levemente e avançou, Thoet esperou o ataque totalmente imóvel, o arqueiro brandiu sua espada de baixo para cima, virando e abaixando a espada, Thoet conseguiu se defender do ataque, então o arqueiro esgueirou para trás e atacou novamente agora de cima para baixo, Thoet colocou a espada na frente, porém o ataque era muito forte, ao ver que a espada estava escapando entre seus dedos, o guerreiro pulou para a esquerda e deu um giro, a espada voou longe de mais para que Thoet pudesse alcançá-la.
Sydrath observou a cena com um sorriso sarcástico no rosto, o guerreiro deu alguns passos para trás, desesperado.
Sydrath riu e gritou: - Então... Thoet vai se entregar? - Thoet lançou um olhar fulminante para Sydrath que exibia um largo sorriso. O príncipe entendeu aquilo como um “não”.
Thoet voltou a olhar para o arqueiro que estava se aproximando, ele observou em volta e notou que não havia nada que pudesse usar para se defender, fechou os olhos e suspirou lentamente tentando organizar seus pensamentos, olhou novamente à volta, de repente um sorriso travesso tomou conta de sua face.
O arqueiro levantou suas largas sobrancelhas e observou atento aos movimentos do guerreiro, Thoet começou a se agachar lentamente até que seu joelho direito encostou-se no chão seguido por sua mão esquerda, sem dizer nada o arqueiro foi andando lentamente ate o guerreiro. Quando ficou a alguns passos ergueu a espada com as duas mãos, antes que ele pudesse realizar o ataque, Thoet pegou um punhado de terra e jogou nos olhos do arqueiro que largou a espada para limpá-los.
Thoet soltou um leve riso quando seu inimigo recuou xingando em voz baixo. Ainda agachado, o guerreiro pegou a espada e acertou um golpe na parte inferior do joelho esquerdo fazendo o arqueiro cair de joelhos.
Com um pulo, Thoet se levantou, com um olhar triunfante, ele girou um pouco o pescoço para ver Sydrath que estava visivelmente impressionado, então o guerreiro voltou seu olhar para seu inimigo, e com um golpe rápido e impiedoso, a lâmina atravessou o pescoço do arqueiro fazendo sua cabeça rolar.
Começando a cambalear, Thoet largou a espada e colocou a mão esquerda na flecha em seu ombro, fechando os olhos, Thoet puxou-a soltando um esguicho de sangue, pela primeira vez, o guerreiro sentiu o liquido quente que escorria de sua ferida. Olhou mais uma vez para Sydrath e caiu de bruços.
Desembainhando sua espada com a mão direita, Sydrath começou a andar na direção do guerreiro caído. Segurou-o pelos cabelos e levantou sua cabeça encostando a lâmina no lado esquerdo do pescoço de Thoet.
- Onde está o orbe? – Perguntou ele, Thoet olhou em seus olhos e riu apesar do medo que sentia.
Sydrath respirou fundo e perguntou novamente:
- Onde está o orbe? – Thoet estava com a respiração curta e rápida. O silêncio mais uma vez predominou.
Com fúria nos olhos, o homem puxou a espada e manchou sua lamina com o sangue do guerreiro, após embainhar a espada novamente, Sydrath começou a adentrar o bosque.


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