CAP. III
Capitulo.III.
Os punhos do garoto estavam cerrados, prontos para se defender, ele via a silhueta se movendo lentamente em sua direção, quando a sombra atravessou o fecho de luz, o garoto percebeu que quem estava em sua casa era o arqueiro Augusth.
- Não tive oportunidade de te dar os pêsames...- Disse ele coçando a cabeça.
O garoto baixou o olhar e depois encarou novamente seu amigo, ele vestia uma camisa marrom de algodão, longas calças brancas, e, como Thirf já esperava, ele estava com seu habitual arco em seu ombro e sua aljava em suas costas.
- Obrigado. – Disse Thirf tentando esboçar um sorriso.
- Bom... Nos vemos amanha – Sussurrou Augusth cabisbaixo compartilhando a tristeza do garoto.
“Amanha...” pensou Thirf subindo as escadas, ao entrar no quarto, ele olhou mais uma vez para a cama de seu irmão. Uma última lagrima correu em seu rosto. “Vou vingar sua morte...” pensou ele. “Vou te vingar...”.
Com passos firmes, foi em direção há um enorme baú de madeira que ficava aos pés de sua cama. Abrindo-o retirou de dentro uma couraça prateada junto com uma cota de ferro e depois as colocou no chão.
Olhou para a couraça, se lembrou de quando a usava para treinar com Thoet, tirou a camisa, mostrando três cicatrizes alinhadas lado a lado em sua costela direita, Thirf ainda tinha pesadelos com o ogro que as deixou ali.
Depois vestiu a cota de ferro, se arrepiou quando sentiu o metal tocar o seu tórax, pegou a leve couraça e também a vestiu, olhou novamente para o baú e tirou de dentro dele duas manoplas.
Pelo fato delas serem feitas de ferro, eram pesadas e possuíam pouca mobilidade, jogou-as de volta no baú, e o fechou.
Foi em direção ao baú de Thoet, que era quase idêntico ao seu, se lembrara que seu irmão possuía duas manoplas de prata leve e resistente.
Abriu-o começou a procurar, jogou algumas roupas de seu irmão para fora do baú. No fundo, ao lado de um pano enrolado, estavam elas, quando o garoto esticou o braço para pegá-las, o pano começou a brilhar, fazendo ele cair para trás de susto.
Levantou-se lentamente e voltou a olhar para dentro do baú, ao chegar mais perto, o garoto percebeu que o brilho irradiava de alguma coisa dentro do pano. Apesar do medo, Thirf pegou o pano e começou a desenrolá-lo.
Ao final, havia uma esfera amarela, um pouco maior que uma uva, o garoto lembrava-se de quando seu irmão havia trazido aquele item para aquela casa.
“Meu irmão ordenou que eu defendesse essa coisa com a minha própria vida”. Lembrou Thirf. Olhou por mais alguns minutos aquele objeto e depois o enrolou de volta no pano. Pegou uma saca que estava embaixo da cama de Thoet e colocou o objeto dentro, depois, pegou as manoplas e as vestiu.
Caminhou em direção a cômoda e abriu uma gaveta, dentro dela se encontrava uma adaga em uma bainha preta e uma espada pequena em uma bainha preta.
Thirf pegou a adaga e amarrou-a com uma tira de couro em sua coxa esquerda, colocou a espada em sua cintura e desceu as escadas.
Foi até a mesa, pegou o resto do pão o colocou na saca e saiu da casa.
O céu estava alaranjado e o sol raiando, quando Thirf começou a caminhar em direção a saída da cidade.
- Não posso te impedir de ir...- Disse alguém perto dele. – Mais... Aceite um presente.
Rapidamente o garoto olhou de onde vinha àquela voz. Para sua surpresa, parado perto de sua porta estava o Mestre segurando um cavalo manga-larga preto com uma enorme sela.
- Será mais rápido se você for a cavalo. – Continuou o Mestre.
- Não posso aceitar. – Disse o garoto abaixando a cabeça.
- Você deve aceitar – Sussurrou o Mestre indo em direção ao garoto. – Seu pai gostaria que eu o lhe desse.
“Meu pai”. Pensou o garoto olhando para o cavalo. Voltou o olhar para o velho e disse:
- Se é à vontade de meu pai...
Com um sorriso no rosto, o Mestre lhe entregou as rédeas.
- Seu nome é Lanero – Disse ele.
O garoto subiu lentamente no animal. Olhou a sela e percebeu vários itens amarrados nela.
Seus olhos arregalaram quando viram uma enorme espada com um punho prateado. Desembainhou-a lentamente, a arma era pesada e em sua grossa lamina haviam algumas runas gravadas.
- É sua? – Perguntou o garoto colocando a espada novamente na bainha.
- Agora é sua. – Respondeu o velho.
- Então...- Disse Thirf envergonhado. – Quero que você fique com a minha.
O garoto tirou sua espada da cintura e entregou para o velho que sorriu levemente ao recebê-la.
- Lembre-se meu jovem...- Disse o Mestre segurando com as duas mãos a espada embainhada. – Nem sempre o que a gente procura é o que a gente encontra.


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