CAP. VII
Capítulo.VII.
- Arqueiros! – Gritou o Mestre, ele estava de pé em cima de uma porção caixas, a sua volta estavam alguns guerreiros com pequenas armaduras e uns poucos arqueiros sobre os telhados das casas e escondidos nas árvores, que apontaram suas armas na direção do bosque ao comando do velho.
O som da marcha inimiga era quase rítmico, quanto mais esse som aumentava, o coração do oráculo palpitava mais rápido. “Eles não devem voltar... Eles não devem voltar!”. Ele repetia mentalmente.
- Como você sabe que não são mercadores? – Perguntou Augusth.
- Mercadores não viajam durante a noite... – Respondeu o garoto retirando a espada do chão e indo até Lanero.
- O que acha que está fazendo? – Indagou o arqueiro puxando-o pelo braço.
- Me vingando... – Disse o garoto.
- Se vingando! – Gritou Augusth ao empurrar Thirf para longe do cavalo. – Vai morrer antes mesmo de entrar no bosque! Você acha que era isso que seu irmão queria pra você... – Continuou ele.
- Não venha me falar do que me irmão queria! – Esbravejou Thirf.
- E se você morrer... Quem vai lavar a honra de Thoet? – O arqueiro lançava um olhar fulminante para Thirf. – Sua morte será em vão... – Continuou Augusth em um tom mais calmo.
- E você Augusth? – Perguntou o garoto. – Não quer defender a sua cidade? Larbah foi seu lar e é lá que todas as pessoas que você ama moram... – Disse Thirf em um tom melancólico.
- Temos que ir... – Disse Augusth friamente.
- E quanto a Mylla? – Thirf ficava mais tenso a cada segundo.
Naquele momento, Augusth fechou os olhos e lembrou de sua amada. Ela tinha cabelos loiros e lisos, e um lindo rosto. Os olhos do arqueiro se encheram de lágrimas. – Não podemos voltar... – Disse ele deixando uma lagrima escorrer pelo seu rosto.
- Claro que podemos! – Gritou o garoto.
- Não podemos! – Os punhos de Augusth estavam cerrados e sua respiração acelerada. – Não podemos voltar... – Continuou o arqueiro.
- O que esta dizendo? – Perguntou Thirf indo até ele.
- Parem... – Disse um homem de cabelos negros e uma enorme armadura preta com adornos dourados. Ele estava a alguns metros da saída leste do bosque, atrás dele, vinham cerca trinta guerreiros e algumas criaturas grandes e negras com escudos de prata e grotescas marretas.- Hoje... Conquistaremos o poderoso orbe de Aljazév para os Anjos do Apocalipse... – Disse ele virando-se para as tropas: - Não tenham piedade, ele nos traiu, traiu a nossa ordem, nossa honra e traiu novamente os que são seus aliados... Não deixem nada barrar o caminho de nosso sucesso!
Ao falar isso, uma onda de animo tomou conta das tropas que começaram a gritar e bater suas espadas nos escudos produzindo um barulho ensurdecedor.
- Artch! – Berrou alguém após os gritos.
O homem de cabelos negros começou a olhar ao seu redor até ver um menino maltrapilho correndo até ele.
- Artch... – Disse o menino ao chegar diante do homem. – Mude a formação... Os dalgroms disseram que eles têm muitos arqueiros e dez ou quinze guerreiros nas tropas de infantaria.
- Obrigado, mande-os continuarem sobrevoando a área caso precisarmos. – Disse Artch passando a mão na cabeça do menino que voltou correndo pelo bosque.
- Atenção homens! – Anunciou o homem desembainhando uma espada de lamina longa e arqueada. – Recebia a informação que eles tem arqueiros... Sejam rápidos e cuidem-se...
- Não vai mudar a formação? – Perguntou uma criatura negra com enormes chifres que a deixavam um pouco maior que um ogro adulto.
- Não será preciso. – Respondeu Artch em tom confiante. – Mantenha suas tropas na saída leste do bosque.
- Chzah. – Respondeu o monstro.
- Avançar. – Ordenou o homem para suas tropas humanas, que reiniciaram sua marcha.
- Não posso explicar agora, temos que sair daqui... – Disse o arqueiro montando em Alkui.
A face de Thirf demonstrava surpresa e preocupação. “Por que?” Se perguntava o garoto. – Claro... – Disse Thirf com um leve sorriso nos lábios ao caminhar até Lanero.
- Ataque! – Gritou o homem de cabelos negros ao ficarem a alguns metros da saída.
Obedecendo a suas ordens, os guerreiros saíram em disparada. Artch estava à frente, seu braço direito segurava sua espada que riscava o chão enquanto ele corria.
Umas chuvas de flechas os receberam na entrada da vila, matando três guerreiros com tiros certeiros. Mesmo assim, eles não diminuíram a marcha.
- Guerreiros! – Gritou o Mestre.
Homens e mulheres avançaram sem medo, alguns destes, carregavam simples machados de lenhador e outros, apenas pedaços de pau e pequenas espadas.
O terreno era acidentado e cheio de morros e cavidades.
Outra chuva de flechas caiu sobre as tropas de Artch, agora, matando cinco homens.
Alguns poucos metros separavam os dois exércitos.
- Vamos... – Disse o arqueiro reiniciando a cavalgada em direção ao deserto.
- Não... – Sussurrou Thirf fazendo a volta.
- Thirf, não! – Gritou o arqueiro indo atrás do garoto.
Um enorme estrondo pode ser ouvido quando as duas tropas colidiram, o céu estava vermelho como o sangue que começava a cair ali.
- Dalgroms! – Gritou um homem pequenino que apontava em direção há cidade.
Ao mesmo tempo, três dalgroms montaram em suas feras e iniciaram vôo sobre o bosque, dois dalgroms estavam montados em dragões do fogo e outro possuía um dragão do vento.
O Mestre estava com a mão aberta, sua palma brilhava e às vezes exalava uma espécie de luz quando ele pronunciava certas palavras. Essas pequenas luzes faziam os que a tocavam ficarem temporariamente cegos, facilitando o ataque das tropas de Larbah.
Um som monstruoso vindo dos céus encheu o ar da batalha, gelando o sangue de um dos arqueiros que estava posto em cima de um dos telhados da vila. Assustado, o jovem esticou mais a corda do arco que estava firme em suas mãos.
Descendo em um vôo rasante, um dragão do fogo despencou na direção do jovem arqueiro, que disparou uma única flecha. Em um movimento ágil, o dragão desviou da flecha e agarrou o arqueiro entre os afiados dentes.
- Tzopo! – Gritou o Mestre apontando sua palma em direção ao dragão, e dela saiu uma pequena bola de fogo.
O animal arremessou o corpo já sem vida do garoto e, com sua boca, também disparou uma bola de fogo na direção do velho. Uma enorme e brilhante explosão se fez quando os dois projeteis flamejantes colidiram no ar.
A enorme criatura girou e bateu um pouco as assas para ganhar altura, passando lentamente ao lado dos dois outros dragões. O segundo dragão do fogo desceu das nuvens lentamente, e, da mesma forma que o outro, disparou uma rajada de fogo na direção do Mestre.
- Protvhus! – Gritou o velho esticando os braços. Como chuva, as chamas colidiram em uma barreira invisível que estava em volta do mago e se desfizeram.
Frustrado, o dalgrom puxou as rédeas do animal, que pendeu para a esquerda e bateu de leve as assas para não cair.
Ao virar as costas para o Mestre, o velho gritou apontando a palma para o dragão:
- Tzopo! – Nisso, outra bola de fogo saiu de sua mão, agora maior e mais rápida. A esfera acertou em cheio a fera que foi envolvida pelas chamas.
Sem conseguir controlar seu vôo, o animal colidiu com a copa de uma arvore e depois caiu morto no chão.
O dragão do vento já fazia meia-volta, quando o Mestre abriu a sua outra mão e apontou para ele dizendo:
- Pemo... – Fazendo milhares de pontos azul-brilhante saírem de sua palma e irem de encontro com o animal lentamente.
Desesperado o dragão começou a voar mais e mais alto, porem, sem sucesso.
Ao tocarem as duras escamas do animal, as pequenas luzes se convertiam em cristais de gelo, fazendo a criatura parar lentamente de se mover, até paralisar seu bater de assas e cair no chão virando vários pedaços.
Quando o Mestre percebeu, o primeiro dragão que havia lhe atacado estava metros acima do bosque.
- Ragehs! – Gritou Artch um pouco depois de cravar a espada num inimigo.
- Alrrav! – Berrou a criatura erguendo uma enorme marreta de pedra na sua mão direita e saiu correndo de dentro do bosque na direção da batalha.
Obedecendo as ordens, outros três ragehs que estavam no bosque fizeram o mesmo que o outro.
Ao chegar diante de um humano, a criatura lhe acertou com a marreta bem no tórax, fazendo-o voar alguns metros longe.
O Mestre sem demora desembainhou a espada entregada por Thirf e a ergueu gritando:
- Smotr envot! – Ao pronunciar essas palavras, a lamina da espada começou a brilhar. O vento começou a soprar mais forte, as nuvens acima do velho passaram a ficar cinzentas e relampejantes. Um trovão ensurdecedor seguido de alguns trovões abafou o som das espadas colidindo.
Sangue esverdeado molhou a gama quando uma flecha perfurou a barriga de um rageh, o animal arrancou a seta, fazendo ainda mais sangue cair. Olhou para uma arvore onde podia ver um arqueiro. Rugindo, a criatura jogou a marreta com uma força surpreendente atingindo o jovem.
Outro trovão fez se ouvir. Artch olhou para o e percebeu que o vermelho sangue havia sido substituído por nuvens cinzentas que serpentavam em torno de uma nuvem negra que ficava bem acima do Mestre. “O que será isso?”. Pensou ele.
Como se estivesse respondendo a pergunta que assolava a mente de Artch, um raio branco desceu dos céus e atingiu em cheio o enorme monstro negro espalhando seu corpo em vários pedaços. O homem de cabelos negros arregalou os olhos e ordenou:
- Peguem o velho!
Agarrando suas gigantescas armas, as criaturas partiram fortemente sobre as tropas de Larbah para chegar até o velho.
Um novo raio caiu fazendo outro rageh em pedaços.
Um monstro conseguiu furar o bloqueio humano e em passadas longas e rápidas foi em direção ao velho.
O garoto sentia suas pálpebras pesarem mais a cada metro avançado na planície.
“Você não pode voltar lá”.Pensava Augusth. – Desculpe amigo... – Sussurrou ele ao ver o garoto despencar sobre o cavalo que foi reduzindo a velocidade gradualmente.
Em um movimento rápido, o velho pulou das caixas e jogou a espada no rageh.
O animal rebateu a arma fazendo ela voar longe.
Imediatamente, o oráculo juntou as palmas de suas mãos e gritou:
- Gli...- Foi interrompido pela criatura, que agarrou com uma de suas mãos a cabeça do velho e a encosto em uma parede de maneira que seus pés não tocassem o chão. - Haimah le ghravv... – Dizia a criatura fazendo com que seus dentes amarelados e pontiagudos aparecessem. Como se seus dedos em volta da cabeça do Mestre já não o deixasse com medo o bastante.
- Olhem! Pegaram o Mestre! – Gritou um dos homens de Larbah ao ver o monstro erguendo seu gigantesco punho fechado.
Por um segundo, a batalha pareceu parar. Quando Artch observou a cena, começou a gesticular e gritar: - Não o mate! Não o mate! – Repetia insistentemente até que o rageh colocou o homem no chão.
Como se estivessem recebendo ordens, os soldados da vila pararam de atacar deixando espaço livre para o homem de cabelos pretos ir até onde o velho estava.
“Tolos, lutem!” Pensava quase sendo sufocado pela mão do monstro.
Lentamente, as tropas de Artch foram capturando os inimigos.
- Tragam alguém aqui! – Gritou Artch. Segundos depois, um soldado baixinho jogou o homem diante dele. Sangue pingava de sua cabeça, cabelos grisalhos caiam sobre suas costas. Seus olhos azuis eram penetrantes, quase místicos. Ele estava ajoelhado no chão de pedra, usava uma simples camisa de algodão marrom, uma fina corda atava suas mãos atrás das costas.
- Onde esta Thoet? – Artch perguntava a multidão.
O silêncio pairou.
- Tudo bem... - Ele tornou a falar. Respirou o fresco ar da madrugada antes de cravar e retirar rapidamente a espada do homem que estava de joelhos em um movimento ligeiro.
O pobre caiu de peito nas pedras.
Mais dois senhores e uma senhora tiveram o mesmo destino.
- Traga outro. – Artch apontara para o povo com um pouco de exaustão.
Outra vez, lá vinha o baixinho, agora trazendo uma senhora de uns setenta e poucos anos e a jogou como fizera com os outros.
- Mãe! – Gritou um jovem. – Por favor, não a mate! – Berrava ele pondo-se em pé, seu rosto sujo estava molhado por lagrimas. – Você quer saber onde esta Thoet? – Desesperado.
Artch se permitiu um sorriso.
- Ele deve estar em Anasthed!... – O homem de cabelos negros arregalou os olhos ao ouvir.
- O que esta dizendo? – Dizia Artch dava um passo à frente evidentemente tenso.
- Ele morreu! A dois ou, três dias... – O jovem tremia.
Artch rangeu os dentes antes de girar nos calcanhares e cortar a cabeça da velha.


2 Comments:
Adorei!!
Adorei!!
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