Terra de Samech

Saturday, November 21, 2009

quase CAP. XIII

Capítulo.XIII.

Khaod rasgava os céu sobre o dragão que Liragon o cedera.

Seus olhos já refletiam a névoa negra sobre o vulcão Brêod.

Lasgro ficava em uma estrutura de aço sobre a lava incandescente do vulcão.

Khaod já passara por ali algumas vezes, e tinha quase certeza que o povo de lá lembrara dele.

O gigantesco dragão negro começou a voar em círculos sobre a cidade até que pousou em um espaço grande o suficiente para ele. Khaod desceu do animal e seguiu caminhando pelo solo de metal que produzia um estalo conforme ele caminhava.

Calor quase insuportável fazia suar a testa das pessoas que olhavam admiradas, tanto para Khaod, quanto para o dragão.

Lasgro era uma cidade que o mercenário conhecera muito bem. Deis de que se tornara um matador de aluguel, Khaod passara por ali varias vezes.

A cidade no alto do vulcão era conhecida e admirada por todos os ferreiros, armas surpreendentemente resistentes e leves eram produzidas com o metal retirado das minas de Lasgro.

Khaod seguiu até a primeira taberna, era um ótimo lugar para se conseguir informações... Se fossem feitas as perguntas certas. Era tão incomum para ele ver as coisas naquele local, apesar de ter vindo ali algumas vezes, tudo era de metal, mesas, bancos, balcão, paredes, teto, canecas, se confundiam com as armaduras dos forasteiros que bebiam por ali. As enormes portas se fecharam atrás de Khaod produzindo um estrondo e selando aquele ambiente novamente em uma escuridão parcial proporcionada pelas velas acima das mesas. Ele caminhou até o balcão sem olhar pros lado, enquanto era observado de soslaio por alguns ali.

- O que vai querer? – Perguntou o sujeito do balcão, era gordo e careca com um bigode enorme sobre sua boca. Ele batia de leve os dedos no balcão sujo onde ao longo se encontravam copos e bêbedos caídos sobre ele.

Khaod colocou sua katana sobre um espaço no balcão e disse:

- Dois jovens, um ruivo e outro loiro, a cavalo, para onde foram? – Permaneceu com a mesma expressão de quando entrara naquele local.

- Veio ao lugar errado amigo... – Disse o balconista e se moveu como se fosse pegar algo embaixo do balcão. Antes disso Khaod munido de uma rapidez surpreendente desembainhou sua katana e tocou com sua lamina levemente o pescoço do homem que ficou ali sem movimento. – Melhor não. – Disse Khaod baixinho.

Pelo espelho atrás do balconista o mercenário percebeu movimentação à suas costas. Daquele ambiente mal iluminado saltou um homem armado com uma adaga afim de golpeá-lo pelas costas. Percebendo isso, Khaod sem tirar a lamina do pescoço do sujeito do balcão, acertou o homem com seu pé direito bem no meio de seu peito. Logo em seguida um outro homem saltou agora pela esquerda e empunhando uma longa espada. Khaod passou a katana para a mão esquerda e a puxou de leve do pescoço do balconista produzindo apenas um pequeno corte na pele, então a ergueu e defendeu o ataque. Antes que o homem pudesse pensar em outro ataque, Khaod havia cravado a espada em seu peito e a retirado usando a mão esquerda enquanto abriu a mão direita diante do rosto do balconista gritando:

- Pemo! – Sua mão apenas brilhou e o balconista ficou paralisado, totalmente impossibilitado de mover um músculo. – Alguém mais quer tentar? – Disse Khaod de braços esticados olhando para o restante de pessoas do local.

A noite estava começando a cair quando Thirf, Augusth e Brian atravessaram a ponte sobre o Azlak. A criatura que Brian criara corria um pouco a frente dos cavalos, era extremamente rápida. Alguns metros depois da ponte Thirf resolver parar para acampar, as experiências com as larvas saindo do chão o deixaram um pouco apreensivo quando a cavalgar naquela área.

Pararam sob uma árvore grande com casca acinzentada. As folhas outonais da arvore reforçavam a luz laranja do por do Sol sobre eles. Brian tocou a cabeça da criatura que montara com a ponta do bastão e esta voltou como pó para terra assim como tinha surgido. Augusth estava amarrando os cavalos enquanto Thirf observava o deserto que havia se aproximado significativamente deis de o começo da jornada. A torre de Ozbek podia ser vista mais detalhadamente. Era muito mais alto do que ele imaginara.

Sua observação foi interrompida por um estalo vindo detrás dele. Era Brian criando uma fogueira.

Thirf se aproximou sentindo o calor no seu rosto que logo foi diminuído pelas habilidades mágicas de seu cachecol, presente de Eva. Augusth apareceu logo depois e foi esticando as palmas das mãos e aproveitando as chamas.

- Usou magia não é? – Perguntou sorrindo.

Brian balançou a cabeça afirmativamente também com um sorriso. Thirf então perguntou:

- Quanto sua parte no acordo... – Sentou-se na grama.

- Pois bem, - Começou Brian. – De inicio vou contar para vocês as origens de Samech até chegar nos dias que conhecemos... – Sentou-se sendo logo seguido por Augusth ainda com as mãos esticadas. – Creio que não sabem como foi a formação do nosso mundo não é. – Brian olhou para ambos. August por sua vez olhou para Thirf que estava com um olhar fixo na fogueira.

- Antes de tudo ao nosso redor existir, num mundo infinito chamado Nadgar, existiam quatro grandes deuses-dragões. Cada um deles representava uma força elemental e cada um deles existe em parte no nosso mundo. Blasius a terra, Mondra a água, Cland o ar e Sirmus o fogo. Suas forças juntas formaram nossa terra e todas as outras terras que não conhecemos. – Thirf desviou o olhar das chamas e começou a fitar Brian. – Mas terra é só terra, eles precisavam de uma coisa para movimentá-la. Assim após um longo tempo de reflexão, os deuses colocaram em Samech um ser que julgavam ser o que traduziam como a perfeição. Seu nome era Esmá “a grande mãe”. Ela era como uma elfa grávida, como as dos dias de hoje. – Augusth ouvia tudo maravilhado. – Após sua gestação, nasceram dela sete grandiosos filhos. Ernanboc o semi-deus das florestas, Shinfrind o semi-deus das tempestades, Oldek o semi-deus do deserto, Yeudrah semi-deus das montanhas, Seand o semi-deus dos oceanos. – A mente de Thirf retornou ao momento em que viu Seand saltando sobre o castelo voador de Shinfrind. Quase sorriu com isso. – Já devem ter ouvido falar neles não é? – Perguntou Brian voltando seu olhar para Thirf. Este acenou com a cabeça.

A noite foi chegando e Brian continuou falando. Falou sobre os outros dois filhos de Esmá, um gnomo e um elfo. Livig e Aljazév. Thirf arregalou os olhos. Ele conhecia as lendas sobre Aljazév e sua revolta mas não coseguia imaginar que Aljazév era o primeiro elfo.

- Esses dois filhos mantiveram relações com Esmá e desta nasceram o que hoje é a raça dos elfos e dos gnomos.

Um vento friu soprou sobre a árvore e fez voar algumas de suas folhas.








Então, esse saiu do forno agora. É um tanto grandinho ele e não achei algo pra separar os capitulos >.< vou postar o que for conseguindo escrever na semana. Aceito sujestões... Espero que continuem lendo =b

CAP. XII

Capítulo.XII.

Grande foi a surpresa de Hadige ao ver os estandartes com o símbolo Masira. Ela suspirou de alívio e foi até eles.

Mais de trinta homens se espalhavam pela exuberante floresta. Vestiam roupas simples e comuns, ninguém com uniforme.

- Kora! – Gritou Hadige correndo até um rapaz jovem que estava à frente dos outros.

Os dois se abraçaram calorosamente.

Kora era forte, porém não era muito alto. Tinha profundos olhos negros e cabelos castanhos até metade as costas.

- Pensei que havia morrido... – Disse Hadige saindo dos braços de Kora.

- Lutamos... – Kora possua uma voz grossa, porém doce. – Perdemos uns cinco homens... Mas quando você sumiu da cidade, nós saímos a sua procura. Ainda bem que achamos esse nobre homem que lhe acolheu... – Apontou para Handar ao seu lado.

Apesar de seu tamanho monstruoso, Hadige não havia percebido sua presença.

- Vocês deveriam ter permanecido e lutado! Não sou mais importante que a causa de todos os Masira. – Hadige estava extremamente brava.

- Compreendo princesa... Mas seria uma grande perda para seu pai. – Os olhos de Kora se perderam ao longe. – E para todos nós...

Hadige pareceu compreender.

- Agora vamos... – Disse Kora. – Vamos ver nosso rei.

A princesa assinalou com a cabeça.

Aos poucos, Kora, Hadige, e todos os guerreiros começavam a descer a colina verde.

Handar ficou observando tudo até o momento em que se virou e se embrenhou na floresta.

Friday, November 13, 2009

=b

Oh yeah.. demorei pra postar esses....


nao estou podendo entrar mtu na net durante os dias da semana, então acho que vou começar a postar sabado..... Isso tbm vai mi dar um pokin de tempo pra escrever, pq os capitulos que eu tinha estocado foram pro blog, então, hora de trabalhar =x





=*

CAP. XI

Capítulo.XI.

A moça que Thirf vira no espelho vai lentamente abrindo seus grandes olhos azuis. Ela estava com aparência pálida e abatida. Pulou de susto quando percebeu que alguém a observara.

- Quem é você? – Perguntou em voz melodiosa, porém forte.

- Handar... Meu nome é Handar... – Handar era um homem grande e robusto. Tinha barba e cabelos longos da cor preta. Vestia uma camisa xadrez e uma calça branca, ambas de algodão muito simples. – E você?

- Hadige... – Disse ela olhando em volta. – Que lugar é esse?

- É a minha cabana no pico Fibatsi ao norte da floresta Siblare.

Hadige continuou olhando. Ela estava numa cama em uma cabana de madeira. A moça logo presumiu que Handar era um lenhador pelo machado encostado na parede perto da porta e pelo tamanho do homem.

- Te achei desmaiada no meio da floresta... Estava fugindo de Finox? Eu soube que a destruíram...

- Não me lembro, - Hadige se levantava lentamente. – passei o dia lá, falei com o chefe da aldeia, até participei de uma celebração... Mas depois disso cansei, fui me deitar e não lembro de nada...

- Estranho... – disse Handar coçando a barba. – Há! – Apontou para a mesinha ao lado da cama. – Seu medalhão está ali, nunca vi nada igual.

- Há... Sim. – Hadige pegou o medalhão e o observou enquanto movia o objeto entre os dedos. O medalhão era feito de bronze. Havia quatro pedras amarelas incrustadas nele. Havia também algo escrito, mas Hadige nunca conseguira ler. – Era da minha avó, ela era uma ótima feiticeira... Foi assassinada por um feiticeiro que ela amava. – Fez cara de desgosto enquanto colocava-o no pescoço. – Por isso, nunca acreditei no amor...

Handar assentiu depois pegou o machado e olhou para ela dizendo:

- O dia começou e não sai de casa ainda... Vou trabalhar. – Apoiou o machado no ombro direito. – Pode ficar mais um tempo, você ainda está fraca...

- Obrigado. – Hadige conseguiu responder antes de ver Handar saindo pela única porta do lugar.

“Finox destruída... Maldição, papai não vai gostar disso, uma das poucas aldeias aliadas! Mas... Quem... Quem?” Rapidamente Hadige pulou da cama e começou a vasculhar o lugar. Praguejou após meia hora de busca. Achou ridículo Handar não ter um espelho por mais feio que fosse.

Com um estalo, olhou para o vidro da janela onde podia ver de leve seu reflexo.

Por mais que Hadige ficasse parada, seu reflexo se movia de um lado para o outro como se estivesse tenso. Quando percebeu que estava sendo observada, o reflexo parou e começou a olhar para Hadige.

- Você! Onde você estava até agora? – Perguntou o reflexo apontando para Hadige.

- O que houve com Finox? – Hadige repassou a pergunta.

- Finox! Finox está em cinzas! Tropas Háried invadiram a aldeia, descobriram que estávamos lá e o que queríamos fazer... – Explicou o reflexo.

- Mas e o tratado de Mur... – A garota tentou falar, mas o reflexo a interrompeu:

- Tratado de Mureal... Blá, blá, blá... Não existe tratado! Os Háried tem um projeto... Eles querem reunificar toda Samech. Extinguir os Masira e colocar as colônias sob seu controle, mas... Pra isso. – Mexeu no medalhão que trazia em seu pescoço. – Precisa reunir as três chaves e encontrar o poder descrito nas lendas.

Hadige repetiu o gesto do reflexo.

Sua conversa foi interrompida quando ouviu uma trombeta ao longe.

Fazia algumas horas que Thirf e Augusth deixaram Kindol. O Sol começava a raiar. Ambos não diminuíram a marcha desde que saíram da cidade. Já começavam a ver a ponte sobre o rio Tunari.

- Não devemos parar? – Gritou Augusth.

- Não! Estamos perto... – Gritou Thirf balançando a cabeça.

A noite foi longa, não pararam um segundo. Tentaram passar pela ponte na cidade de Kindol, mas ela dava acesso à ala “rica” da cidade e também a saída leste. Porém, para passar por ela, teriam que desembolsar uma grande quantia em ouro, que por um acaso não tinham.

Thirf pensara em tudo que Eva dissera. Chegou à conclusão de era apenas uma bruxa louca.

Lanero, e Alkui costeavam o Tunari em direção ao sul. O clima era fresco, pequenas gotículas de água voavam com o vento. Thirf e Augusth estavam aquecidos pelas roupas dadas pela bruxa.

De surpresa, uma criatura estranha saltou de dentro da terra entre os dois cavalos fazendo-os caírem com os dois jovens. Antes de Thirf e Augusth se recuperarem, Alkui e Lanero saíram em disparada.

- Maldição! O que era aquilo? – Gritou Thirf se levantando.

- Talvez o motivo pelo qual a bruxa disse: “Essas estradas não são seguras ao amanhecer...” – Augusth ainda estava no chão e olhou para Thirf com cara de graça.

Thirf bufou.

- Thirf, olha! – Apontou Augusth, ainda no chão.

Seu dedo indicava um uma elevação de terra que seguia os cavalos. Thirf ficou parado sem reação apenas observando.

Augusth se levantou e tirou seu arco das costas. – Tomara que eu esteja certo... – Sussurrou ele. Puxou uma flecha de sua aljava e esticou a corda de seu arco.

Os cavalos, e a elevação de terra que os seguia, estavam a uns 45 metros de distancia do arqueiro. Augusth ficou imóvel, com o arco preparado. Seus olhos, fixos no ponto de terra.

Num estalo, a criatura saltou da terra pronta para abocanhar Lanero. Nesse instante, Augusth disparou sua seta que acertou no meio da criatura. A criatura parecia uma larva, só que, muito maior.

“Bom tiro...”. Augusth pensou. “Bom tiro.”.

Sangue verde começou a jorrar da ferida da larva, que aparentemente estava morta.

Os cavalos seguiam correndo.

Thirf olhou para Augusth como se descesse: “Ótimo trabalho, estou assustado, mas fez um ótimo trabalho...”.

Ao longe alguém gritou algo que nem Thirf, nem Augusth entenderam.

Os cavalos pararam como se tivessem virado pedra.

Thirf olhou para os cavalos, e percebeu uma silhueta negra entre eles. O homem acariciava os animais, que permaneciam imóveis.

O jovem de cabelos vermelhos começou a correr na direção dos cavalos.

- Pare! – Gritou o homem.

Thirf ignorou.

Então o homem apontou algum objeto para Thirf e pronunciou:

- Yare! – E assim como os cavalos, Thirf ficou paralizado.

O homem abaixou o objeto e disse:

- Vocês tem que entender... Parem de caminhar!

- Por que deveriamos? – Berrou Augusth.

- Essas criaturas... – Apontou para a larva. – Elas sentem nossos passos.

- Liberte meu amigo... – Ordenou Augusth.

Logo, Thirf voltou a se mover.

- Existem muitas outras dessas? – Perguntou Agusth.

- Milhares, - Respondeu o homem. – e para a nossa alegria... Só caçam ao amanheçer...

Augusth olhou para Thirf e voltou a falar com o homem:

- O que devemos fazer?

- Ficarmos parados, e rezar para que...

Um ruído foi ouvido por uma longa extensão do terreno.

- O que foi isso? – Gritou Augusth.

- Vocês! Corram até aqui! Rapido!

Thirf e Augusth se entreolharam e começaram a correr a correr na direção do homem.

Varias bolhas de terra surgiram no solo, essas bolhas logo estouravam e larvas, semelhantes as que Augusth matou, saltam metros de altura e depois penetram na terra novamente.

Os jovens de Larbah desviavam como podiam conforme as criaturas saltavam a sua volta.

- Garoto! – O homem desembainhou a espada de Thirf e jogou para ele.

Thirf saltou e segurou a arma com a mão direita. Sem agüentar o peso da enorme lâmina, Thirf deixou a ponta da espada colidir com o solo produzindo uma rachadura.

Augusth disparava setas nas criaturas, matou oito até alcançar Thirf na corrida. Thirf arrastava a lamina no chão enquanto corria.

Rapidamente ambos alcançaram o homem. Nisso, o homem pegou o cajado qual o qual abatera algumas criaturas, colocou sua mão direita sobre uma ponta onde se encontrava uma pedra azul-brilhante.

- Mug qe ychovezi! – Gritou o homem.

Uma cúpula azul surgiu em torno e abaixo de todos.

Thirf e Augusth olhavam em volta impressionados. Todas as criaturas que se chocavam com a cúpula acabavam sendo jogadas a metros dali.

- Aqui ficaremos seguros... – Disse o homem encapuzado. Ele continuava segurando o cajado com a mão esquerda e com sua mão direita sobre a pedra, que irradiava um brilho azulado.

- Quem é você? – Perguntou Thirf parado ao lado de Lanero.

- Acho que é um pouco cedo para apresentações não acha? – O homem soltou uma leve risada. – Mas lhe asseguro que não desejo mal algum a vocês...

A quantidade de criaturas que colidiam com a cúpula era cada vez maior. A barreira repelia as que tentavam penetrar sobre os pés de todos.

Assim foi até o entardecer, quando as criaturas cansaram e decidiram voltar a seu repouso. Ao perceberem que estavam em segurança, o homem ergueu a mão que se encontrava sobre a pedra azul e pronunciou:

- Qeztzeivo!

A cúpula azul sumiu e o brilho saído da pedra cessou.

Augusth que estava sentado se levantou rapidamente.

Thirf caminhou até o homem e perguntou:

- Hora de respostas...

- Certamente... – Respondeu o homem sorrindo. De perto se percebia que o homem era um tanto mais alto que Thirf e Augusth. – Meu nome é Brian... – Disse tirando o capuz. Seu rosto não agradava Thirf. Brian possuía cicatrizes pelo pescoço e um cabelo enrolado. Seus olhos eram amendoados e abaixo de seu queixo haviam alguns fios de barba.

- Você estava em Kindol, não é? – Perguntou Augusth se aproximando.

- Sim... Normalmente venho para essa área essa parte do ano. – Brian caminhou até os cavalos, colocou as mãos sobre eles e sussurrou algo.

Instantaneamente os cavalos voltaram a se mover.

- E vocês? De onde são, para onde vão? – Perguntou Brian rabiscando alguma coisa com seu cajado no chão.

- Somos de Larbah, estamos em viajem para Aláguilan... – Respondeu Augusth sorrindo.

Thirf lançou um olhar fulminante para ele. “Diz também o que iremos fazer lá...”. Pensou com desgosto.

- Aláguilan! – Brian disse surpreso. – Então estamos nos mesmos caminhos. – Brian bateu com a ponta do cajado duas vezes onde estava escrevendo e disse:

- Rchiach... – Com isso uma criatura começou a brotar da terra.

Augusth arregalou os olhos. Da terra saíra algo parecido com um cão negro devidamente selado para montaria, a criatura era um pouco menor que os cavalos. O animal olhou para Brian. O mago passou a mão em sua cabeça.

- Posso acompanhá-los? – Brian ainda acariciava o animal.

Antes que Augusth abrisse a boca, Thirf disse em tom solene:

- Não, viajamos sozinhos...

- Viajar sozinhos pode não ser uma boa escolha, ainda mais pra vocês, vindos de uma cidade isolada... – Brian sorriu. – E pelo o que aconteceu hoje, parece que vocês nunca viajaram por essa região. Samech esconde perigos... Muitos dos quais nunca ouviram falar.

Thirf ficou em silencio um instante. Por mais que fosse ruim, ele tinha que concordar que não conhecia Samech do lado de fora das montanhas Fild. A complexidade de seu mundo ia até onde seu irmão o contava.

- Podemos fazer uma troca... – Sugeriu Augusth.

- Não é má idéia... – Respondeu Brian. – Mas o quê?

- Conhecimento... – Thirf interrompeu a conversa. – Quero que nos ensine todo o que você sabe.

Brian pensou na proposta e rapidamente assinalou com a cabeça.

- Tudo bem... Lhes ensinarei o que eu sei... Política, meditação, literatura e é claro... – Abriu um largo sorriso. – Magia!

Augusth sorriu também.

“Foi muito fácil...”. Pensou Thirf olhando para Lanero. Seu cavalo parecia meio acuado com a presença da criatura que Brian criara.

CAP. X

Capitulo.X.

- Uma caneca só você disse. – Augusth não conseguia conter o riso. Ele, Thirf e alguns outros homens ocupam aquele lugar abafadiço. Três longas mesas de pedra se estendiam na vertical no meio do salão. No centro do teto girava um enorme ventilador de madeira.

Thirf e Augusth estavam em uma dessas mesas, um de frente para o outro. Thirf não respondera nada, apenas movimentava a caneca por entre os dedos. Um sujeito estranho vinha carregando mais duas canecas em uma bandeja.

- Senhores... – Disse em voz suave enquanto os servia. Augusth o olhou de cima a baixo sem ao menos disfarçar. O garçom tinha pernas e braços muito longos para seu pequeno corpo. Em sua testa ele trazia um chifre curto e reto, como o de um unicórnio – Observou Augusth, que só conhecera unicórnios e outras criaturas fantásticas por meio de estórias contadas por Thoet e alguns forasteiros que sonhavam escalar as Fild – A criatura sorriu mostrando seus dentes amarelos como ouro e falou para o arqueiro:

- Pelo jeito o senhor nunca viu outro da minha raça não é?

Augusth quase se engasgou com a bebida ao notar que a criatura o percebeu observando-o. Logo, seu rosto branco tomou um tom rubro.

- Você é um Himu não é? – Perguntou Augusth franzindo a testa.

- Não... – Respondeu ele forçando um riso. – Um Himu parece com um porco! Eu sou um Sasmito, descendente da linhagem real dos Ámitos de Olfy! – Disse com orgulhos.

- Olfy? – Balbucionou Thirf. – Isso é lenda!

- Muitos acham isso... A morte de Aljazév trouxe a ruína para nossos domínios e acabou levando nossos genitores. Você ainda pode encontrar suas ruínas se partirem para o sul, até a outra extremidade dessa terra.

Thirf deixou a voz do Sasmito se espalhar pelo ar, até que ele se virou dizendo:

- Agora eu tenho que ir, já me demorei muito aqui nessa mesa e as pessoas tem sede meus jovens!

Augusth pareceu satisfeito com a conversa. Thirf voltou seu olhar para a sua caneca e tomou mais alguns goles.

- Interessante não acha? – Perguntou Augusth. Thirf apenas balançou afirmativamente. – Alem daquele elfo estranho que apareceu lá em Larbah, a única raça que em tenho visto são humanos.

Um som de piano pairava no ar, mas nem Thirf nem Augusth conseguiram enxergar o instrumento. O garoto ruivo, jamais saíra dos limites das Fild e, como Augusth, jamais vira outro ser alem de humanos, uns poucos elfos... E, o ogro que o atacara no bosque.

- Meu ouro pela sua sabedoria... – Disse Augusth vagamente.

- Larbah... O Mestre, Iato o carpinteiro, Roko o taberneiro... E até aquele miserável do Kaimy. – Suspirou. – Como será que estão? Já estou com saudades daquele ar das montanhas...

Augusth sorriu e deixou o nome “Mylla” escapar entre os lábios.

- Já anoiteceu... – Thirf olhava o brilho branco da lua que entrava pelo vitral da janela.

- Vamos voltar para pensão?

- Não... Não temos dinheiro para gastar assim. – Disse Thirf tirando os olhos do vitral e olhando para Augusth. – Vamos seguir caminho e acampar fora da cidade.

- Thirf... - Disse Augusth com expressão serena. – Você sabe que, sua vida se transformará num inferno se conseguir matar o príncipe não é...

- Não importa Augusth, tudo que eu quero é lavar a honra de meu irmão, o que vier a acontecer depois foge ao meu controle.

- Essa vingança! Foge ao seu controle. – Esbravejou um pouco Augusth.

- Não vou discutir isso... – Thirf se preservou tranqüilo. – Vamos agora, temos muito chão a cobrir ainda.

- Certo. – Ambos se levantaram foram saindo. A taberna estava escura, sendo iluminada apenas pela luz da lua nos vitrais e alguns lampiões que cheiravam a um material desconhecido.

Os olhos de Thirf sem querer bateram em um sujeito estranho. Ele estava em um canto do lugar, não bebia nada, apenas estava sentado. Um daqueles lampiões estava sobre a mesa redonda que estava na frente dele. Thirf não pode ver os olhos da criatura, pois um capuz negro cobria inteiramente sua face, mas sabia que ela o observava.

Fora da taberna, a brisa do mar era fria de doer os ossos, muito diferente do ambiente anterior. O brilho prata da lua cobria a extensão de mar até onde a vista deles alcançava.

Lanero e Alkui estavam no estábulo à frente da Bigorna.

Antes de adentrarem o estábulo uma voz idosa fez-se ouvir:

- Jovem de cabelos em chamas, irmão do traidor-morto, tenho uma visão para você...

Thirf se virou para vislumbrar quem lhe falava. Era uma senhora baixa e robusta, cabelos negros e feições amigáveis.

- Não creio em visões... – Respondeu Thirf enquanto Augusth olhava a velha. – Peço-lhe apenas respeito pela memória de meu irmão... Ele não era, - Antes que se pude terminar, a senhora disse:

- Thoet... – Tomou um pouco de fôlego. – Ele também não acreditava... Acho que morreu sem acreditar.

Thirf abriu a boca para falar, mas a senhora lhe tomou a palavra novamente:

- Sim meu jovem, eu o conheci, li sua aura uma vez se quer saber... Era uma aura boa, porém corrompida por ganância e inveja... Não o culpo. – Suspirou um pouco. – Por favor, jovem Thirf, vem comigo não quero nada mais do que seu tempo...

O garoto franziu a testa e ficou em silêncio sem tirar os olhos da senhora.

Caos, isso foi tudo que Kiraidáh encontrou ao adentrar as fronteiras das Fild e visualizar os restos de Larbah. Era noite ainda porem seus olhos tinham a habilidade de enxergar no escuro total como se fosse dia. Era o fim de Larbah, o que não estava em cinzas, estava em pedaços. Fumaça ainda se esvaia de uns poucos pontos. No centro disso tudo se encontrava uma figura negra. Estava de costas para Kiraidáh quando este pousou.

- Olá Kiraidáh ou... Sydrath, tanto faz...

Kiraidáh ficou surpreso, - porém isso não podia transparecer na máscara de cerâmica -tanto com o fato de saber que ele estava ali, quanto o fato de conhecer seus nomes.

- O que procura não esta aqui, o que... É uma lástima.

“Onde está o orbe de Aljazév!” Disse Kiraidáh mentalmente para o homem.

- Você não é surdo que eu sei... – O homem se virou para a criatura e revelou ser o oráculo de Larbah.

“E você não é tolo que eu sei...” Interveio mentalmente Kiraidáh. “Sei que tem poderes místicos, consigo sentir o cheiro... Quero que me diga onde está o orbe de Aljazév! Use seus poderes!”.

- Lhe ajudaria se eu pude-se, porém não posso, meus poderes se limitam á Larbah e sei que ele não está aqui... “Mentira!” Berrou Kiraidáh.

- Então vasculhe minha mente! Tudo que vai encontrar e algumas bênçãos para bebês e alguns funerais... Antes que ele termina-se, Kiraidáh colocou a palma na testa do Mestre.

Os três caminhavam pelas ruas de madeira da cidade-cais chamada Kindol, a lua branca pairava sobre eles em um céu límpido.

“Traidor-morto?” Isso era o que assolava a mente a mente de Thirf.

- Ainda não sabemos o seu nome... – Disse vagamente Augusth.

- Eva... Meu nome é Eva. – Respondeu olhando de soslaio para Augusth e logo voltou a olhar para frentes. Eva vestia alguns trapos de múltiplas cores. – Chegamos... – Eva apontou para uma enorme tenda negra coberta de estrelas branco-brilhante que estava a uns poucos metros de onde estavam.

Ao chegarem, Eva puxou um pano revelando a entrada da tenda:

- Entre Thirf... – O garoto penetrou na tenta. Augusth tentou segui-lo, mas Eva o barrou. – A visão é para ele cabelos-dourados... Quando for sua você poderá entrar...

Augusth fez cara feia mas concordou.

O ambiente era um pouco escuro, porém incrivelmente amplo e confortável. No centro do local acima de um tapete roxo se encontrava um enorme espelho que brilhava como se possui-se luz própria.

Movido pela curiosidade, Thirf foi até o espelho. O estranho objeto refletia tudo ao redor menos a figura do garoto.

Thirf experimentou tocá-lo e o espelho começou a dançar como água e começou a mostrar a imagem de uma floresta obscura.

Correndo entre as árvores estava uma garota desconhecida para Thirf. O garoto percebeu que perto daquela floresta algo pegara fogo. Longos cabelos negros esvoaçavam, uma calça preta de algodão e uma blusa preta também, porém de couro – Bem decotada. Pendurado no seu pescoço estava um medalhão circular com um orifício no centro. Havia algumas coisas escritas ao redor do orifício, mas Thirf não consegui enxergar direito. De cada lado de sua cintura pendiam duas bainhas com suas devidas armas.

Thirf se assustou quando um homem saltou das sombras na direção da garota. Ficou mais assustado ainda quando ela, sem parar de correr, esticou o braço e gritou:

- Hôe! – Uma espécie de onda saiu da mão dela e atingiu o homem fazendo-o voar de volta para o lugar de onde veio. “Magia...” pensou Thirf. Sua linha de pensamento foi interrompida quando outro homem surgiu diante dela armado com um arco.

A garota parou, mas mesmo assim o homem disparou sem dizer nada.

- Yache! – Conjurou a garota.

A flecha parou no ar exatamente onde estava.

Antes que o homem pude-se puxar outra flecha da aljava, a garota desembainhou ambas as espadas e partiu para cima dele. Com um golpe ágil e eficaz, o arqueiro caiu morto enquanto a garota seguiu correndo.

Lentamente, o reflexo no espelho foi tomando sua antiga forma, até que tudo dentro da tenda fosse refletido. Thirf ficou surpreso por agora poder ver seu reflexo e notar que estava com expressão abatida. Alguns fiapos de barba começavam a crescer em sua face ele pode observar.

Sem mais delongas, Thirf saiu da tenda. Tentou dirigir a palavra á Eva, porém, ela o interrompeu dizendo:

- O que você viu é para você... Pode não entender agora, mas a hora esta chegando.

Thirf nem tentou argumentar por que sabia que todas as respostas seriam como aquela.

- Esperem um pouco aqui... – Disse Eva. Ela entrou na tenda.

- Será que ela vai nos cobrar pela visão? – Perguntou Augusth pondo a mão no saco de moedas que pendia da sua cinta.

- Se eu disse que só tomaria seu tempo é por que eu só tomaria seu tempo... – Disse Eva saindo da tenda com alguma coisa nas mãos.

Thirf bufou quando pensou o quanto odeia aquele habito dela.

Eva o olhou, mas sorriu.Thirf ficou assustado com a idéia de alguém ler seus pensamentos.

- Trouxe uma coisa aqui para os dois. – Disse ela chacoalhando as mãos. – Os dias estão ficando mais frios, a neve se aproxima minhas crianças. Por isso, tenho presentes para vocês. – Eva olhou para Augusth. – Para você, cabelos-dourados, tenho isso. – Entregou uma capa preta com capuz de um material leve e fino.

Augusth a vestiu e se surpreendeu com o calor produzido por aquela capa tão fina.

- E para você, cabelos em chamas, tenho isso. – Entregou para Thirf um cachecol vermelho e dourado do mesmo material leve e fino da capa de Augusth.

Thirf o colocou em volta do pescoço e sentiu seu corpo inteiro se aquecer.

- Como isso é possível? – Perguntou Thirf.

- O material do qual essas roupas são feitas se chama Bítrin, vem dos elfos. Ele tem essa reação dependente ao clima, se estiver quente, ele refresca, se estiver frio, esquenta.

Os dois fizeram cara de que entenderam.

- Muito obrigado Eva. – Disse Augusth.

Eva sorriu para ele e depois disse para os dois:

- É claro, fiz uns melhoramentos neles, vocês vão descobrir. Lembre-se dessa palavra, cabelos-dourados: Imbilizit.

Os lábios de Augusth se abriram pra dizer algo, mas Eva o interrompeu dizendo:

- Não a repita garoto! Só a use em caso de necessidade, essa palavra tornará quem usa a capa invisível aos olhos humanos normais, porém, quem diz essa palavra perde suas energias até que a palavra solari seja dita por ele ou por outro... Claro, se a palavra solari for dita a capa e quem a usa voltará a ser visível.

- Uau... – Augusth deixou escapar enquanto examinava a capa. Não pode deixar de demonstrar sua alegria ao receber um item de tal poder. O único contato que tivera com magia foi com alguns feitiços feitos pelo oráculo.

- Não vai perguntar a habilidade do seu presente Thirf? – Perguntou Eva com um rosto risonho.

- Você sabe exatamente o que eu vou dizer não é? – Thirf parecia não gostar muito da brincadeira de Eva.

A senhora soltou um riso e depois disse ao garoto:

- As vezes, meu jovem, as vezes... E, você ia perguntar a habilidade, mas depois observou que sei tudo que você vai falar antes que diga... – Riu novamente. – E, não, não consigo ler pensamentos, apenas tenho um... Pressentimento do que as pessoas vão falar minutos antes de dizer. – Parou para ver a reação de Thirf.

Ele estava confuso, sua mente fervilhava de novas perguntas, inclusive por que aquela senhora tratou seu irmão daquela maneira.

- Certamente está confuso... – Disse Eva sorrindo. – E também tem milhares de perguntas por que... Não estou conseguindo ler nada com exatidão. – Retomou sua expressão séria, porém sempre doce. – Agora escute jovem, todas as suas perguntas serão respondidas a seu tempo, inclusive a função mágica do seu cachecol. – Piscou para Thirf. – Agora vão, pela bagagem que carregam presumo que é uma viagem longa e terão que cavalgar durante a noite... Vão! Essas estas estradas não são seguras para cavalgada ao amanhecer por isso quando o Sol raiar, acampem e se protejam...

“Ela sabe mais do que afirma” Pensou Thirf. “Ela não pode presumir tudo aquilo somente pelas nossas bagagens... Porém, isso é a de menos importância... O que ela quis dizer com: Essas estradas não são seguras para cavalgar ao amanhecer “Há algo de estranho por aqui“.

Eva penetrou na tenda sem dizer mais nada.

- Vamos Augusth...

Augusth o seguiu sem dizer nada.

“O irmão de Thoet e o órfão de Ozbek... Nunca pude imaginar que o destino de nossa terra estive-se nas mãos de duas crianças! O que você tem na cabeça seu tolo! Entregou uma das três relíquias e deixou a outra saírem daqui com eles! Você condenou nosso continente velho...”. Dizia mentalmente Kiraidáh para o Mestre, que estava caído no chão depois da busca que Kiraidáh fez nas suas memórias.

- E estaria melhor nas mãos do rei? – Indagou o Mestre. Ele ouviu Kiraidáh rindo dentro de sua mente, talvez uma resposta sarcástica a sua pergunta.

Kiraidáh deu um salto mais de três metros e abriu suas assas.

A alguns quilômetros de Larbah em um lugar escondido nas montanhas Fild. Um homem caminhava por túneis mal iluminados. Vestia camisa branca de manga longa e calças pretas. Em seus pulsos, sobre as mangas da camisa, haviam tiras de couro preto amarradas como se fossem um enfeite estranho da camisa. Usava luvas da mesma cor das calças. Em sua mão direita carregava uma katana em uma bainha negra. Seus cabelos eram curtos e espetados castanho-escuro.

Era escoltado por Artch, general das tropas tsu-arkanianos. Artch era uns dez ou quinze centímetros maior que o outro rapaz.

Ninguém dizia uma palavra ao longo do caminho.

Pararam diante de uma porta enorme onde dois guardas bateram continência e depois a abriram aquela porta de madeira.

Ambos penetraram em uma enorme sala com um teto abobadado. Lá, se encontravam mais de quinhentos guerreiros agrupados em tendas roxas.

O homem passou por eles sem olhar pros lados.

Entrou em uma porta menor que a primeira, porém lindamente ornamentada. Artch ficou do lado de fora.

- Olá Khaod... – Recepcionou uma voz vinda das sombras. Khaod apenas balançou a cabeça. – Sabe que esta aqui porque tenho um trabalho para você... – Continuou a voz.

Khaod permaneceu sem esboçar reação nenhuma apenas moveu seus olhos avermelhados por toda extensão da sala.

- Meus vigias, - Continuou a voz. – que estão postados ás redondezas do vulcão Brêod me informaram que um jovem ruivo e outro loiro passaram por lá, talvez em direção a Kindol ou Lasgro. – A sombra se levantou de seu trono e foi caminhando até Khaod. Suas feições puderam ser vistas quando atravessou um raio de luz que penetrava do teto de pedra.

Não tinha cabelo, pois a idade já lhe era muita, porém possuía uma bela barba branca. Era quase do mesmo tamanho que Khaod, pois a fusão gnomo-elfo o impedira de crescer normalmente, mas também o impedira de ficar tão baixo quando os gnomos normais. Vestia uma túnica vermelha com ornamentos dourados. Em geral, parecia um rei.

- Lhe daremos um dragão, já que nem a cavalo você conseguiria alcançá-los. Quero orbe que está com o garoto ruivo... Matá-los... Fica a sua escolha.

Khaod fez cara de quem entendeu, apanhou no ar um saco com moedas que Liragon jogara.

- Aí tem metade do pagamento combinado, dinheiro para seus gastos na missão e... – Riu em seu tom rouco. – Umas moedas para você beber algo... A pilhagem de Larbah foi melhor do que eu esperava...

Khaod manuseou-o um pouco sentindo seu peso. Depois, amarrou-o na cinta e depois deus as costas as costas para Liragon saindo pela porta por onde entrou.

CAP. IX

Capitulo. IX.

- Perdoe-me pai... – Disse Sydrath ajoelhado na frente de Gragla. – Falhei diante de você, diante dos Háried e diante de todo povo de Samech...

Gragla olhava para Sydrath com uma espécie de fúria nos olhos.

- Não quero desculpa jovem tolo! – Esbravejou Gragla com sua voz sutil. – Aquele simples globo pode conter todo o destino de Samech!

- Ainda não entendo como uma simples esfera de vidro pode conter tanto poder... – Gragla riu friamente.

- Você, assim como todos nessa terra conhecem a lenda de Aljazév... Claro... O orbe é inútil sem o medalhão e sem a adaga, o qual nenhum desses nós possuímos. Por isso, quero que você reúna guerreiros de sua confiança, quantos precisar, e volte até Larbah, a destrua se for necessário! Porem encontre aquele maldito orbe!

Sydrath somente balançou a cabeça e saiu da sala do trono.

“Guerreiros de sua confiança...” Pensou ele enquanto andava a passos largos pelo castelo. Havia se passado cinco dias deis de que enfrentara e matara Thoet. “Thoet, Thoet, Thoet” Pensou e balançou a cabeça. “Teria sido um guerreiro exemplar se tive-se escolhido lado certo”.

O enorme corredor por onde Sydrath andava era precariamente iluminado por tochas. A maior iluminação era a da lua que penetrava por enormes janelas, ela banhava o corredor como se estive-se derramando prata liquida sobre ele. Dois homens robustos guardavam saída leste do corredor.

Eles abriam a porta de madeira. Lá fora havia uma escadaria de mármore que descia até a alguns metros de um penhasco.

Sydrath andou até a ponta do penhasco. De onde estava ele podia ver a floresta de Avhasédma – Terra das fadas – toda extensão do rio Azlak – Que vinha até a beira do penhasco – e a torre de Ozbek – Situada no centro do deserto de Odingland. Sydrath abriu os braços e fechou os olhos. “Homens de confiança...” pensou novamente. “Só confio em mim pra fazer isso...”. Lentamente, fechou as mãos e gritou:

- Kiraidáh!

Logo, seu corpo começou a se transformar, ele se contorcia levemente enquanto ocorria. As pontas de seus dedos ficaram pontudas idênticas a garras de águia e sua pele se tornou cinzenta e regida. Seus pulsos ganharam enormes anéis vermelhos e inchados. O restante do seu braço ficou enegrecido. Três espinhos de marfim surgiram em cada um dos seus ombros e por toda a sua coluna. Seu tórax ganhou mais volume, assim como suas pernas. Seu rosto endureceu, como se fosse uma mascara pálida e sem expressão. Dois pares de assas – Como as de um inseto – Surgiram em suas costas.

Após suspiram, a criatura cruzou os braços sobre o peito formando um “X” e despencou do penhasco. Mergulhou em uma velocidade extrema. Ao ficar a alguns metros do espelho d’água, abriu simultaneamente os braços e assas produzindo um esguicho que o molhou um pouco. E depois partiu em direção as montanhas Fild.

Sunday, November 08, 2009

Pequeno comentário intrometido do autor...

Sinto-me feliz em saber que alguém lê o que escrevo e sinto-me(não estou habituado com as novas quanto ao hifen (e também não sei como este se escreve :$)) mais feliz ainda por gostarem do que posto aqui. Ontem conheci uma das minhas leitoras pessoalmente, fiquei com vergonha =x Não gosto de elogios, não sei como receber tal coisa. Pois bem, meu comentario vai mais pra ela, continue lendo e espero que goste de todas as coisas que Thirf encontrar no caminho. ;)


A proposito... Qualquer erro, me informem =O


Quem estiver afim de me achar no Twitter > http://twitter.com/GNoOMo
Meu MsN > mercenario650@hotmail.com
Talvez cortejando a insanidade > www.simplesmentegnomo.blogspot.com



=*

Friday, November 06, 2009

CAP. VIII

Capitulo.VIII.

Thirf pulara da cama de madeira e feno. Estava coberto até a cintura por um lençol branco e estava sem camisa. Podia ouvir som de água corrente e um outro som que não conseguira identificar. Sua mente estava confusa, a ultima coisa que se lembrara era do seu desespero em salvar sua vila.

O sol começava a penetrar mais forte através das finas cortinas de seda azul.

Voltou seu olhar para o lado direito e percebeu que Augusth dormira no leito ao lado. “Larbah” Repetia sua mente enquanto ia se levantando. Meteu os pés no frio assoalho de cedro envernizado. Bocejou e coçou a cabeça, ainda meio zonzo, deu três longos passos e agarrou o arqueiro pelos ombros.

- Augusth... Augusth! – Thirf chacoalhara com força Augusth. – O que aconteceu com Larbah? Como chegamos até aqui? Acorde!

Nada

- Augusth! Onde estamos! – Berrando agora.

Augusth foi abrindo os olhos lentamente apesar da sua cabeça balançar como um brinquedo.

- Acorde! – Thirf o jogara na cama.

- O que foi? – Indagou Augusth puxando o lençol para cima de sua cabeça.

Furioso, Thirf empurrou o arqueiro que produziu um estrondo ao se chocar com o chão.

Pisando duro no chão, o garoto foi para o lado da cama.

- Ta bom! Calma! – Gritou Augusth. – Estamos em Kindol!

“Kindol?”. Perguntou-se Thirf.

Com um susto, Augusth foi prensado na parede por Thirf.

- Kindol? – Berrava. – Você nos desviou mais de dez milhas ao norte...

- O Mestre me mandou te trazer pra cá! – Augusth empurrara Thirf e continuara falando: - Ele disse que você tinha algo a fazer! Algo maior do que eu, algo maior você, algo maior até que essa vingança!

Thirf fez cara de confuso.

- Chega... – Disse o arqueiro balançando a cabeça: - Reclamar não vai mudar nada, nós precisávamos mesmo de mais água e mantimento para atravessar o deserto.

O garoto vez careta, mas percebeu que no fundo Augusth estava certo. Porém a duvida ainda pulava em sua mente: “No que o Mestre tem parte nisso?”. Foi andando meio apresado até seu leito e pegou sua cota de ferro e a vestiu.

- Que lugar é esse? – Perguntou olhando em volta.

- Hospedaria Velhis Bebudis – Disse Augusth vestindo suas botas.

- Velho bêbado? – Thirf perguntara novamente.

- Sim... Eu acho... – Respondeu o Arqueiro pondo-se em pé. – Você entende elfíco?

- Isso é Lucrif... A língua dos gnomos.

Augusth assentiu com a cabeça.

- Como você pagou por isso? – O jovem procurava por sua couraça.

- Tinha alguns hinás de bronze... – Respondeu o arqueiro colocando sua saca nas costas: - Acho que ainda tenho mais uns cinco hinás de ouro, mais é só para uma emergência.

- Claro... – Thirf inspecionou o orbe e depois o embalou cuidadosamente.

Após alguns minutos arrumando seus pertences Thirf e Augusth saíram do quarto. Desceram por uma longa escadaria e foram recebidos com um sorriso de uma de uma bela recepcionista. Thirf sorriu de volta, Augusth só fez uma reverencia e saiu sendo seguido pelo jovem guerreiro que demorou a tirar os olhos da moça.

Uma enorme sombra foi cobrindo lentamente toda cidade. Os dois olharam para o céu, assim como a maioria das pessoas que estavam nas ruas.

- O que é... – Augusth não conseguia falar por tamanha fascinação. A sombra era produzida por um enorme castelo de pedra bruta. Ele era construído sobre uma superfície de ônix puro e brilhante. Flutuava magicamente produzindo um som estranho.

- Este, meu caro amigo, é o castelo de Shinfrind o deus do ar. – Disse Thirf olhando de soslaio para Augusth. – Meu irmão me falou dele... É incrível não é?

Augusth só suspirou estupefato.

Lentamente o castelo ia se distanciando da cidade deixando o sol brilhar sobre as águas do Tunari. Uma enorme roda d’água movia-se preguiçosamente. Mais ao norte o oceano se estendia até onde à vista alcançava, era hipnotizante. Era a primeira visita de Thirf a Kindol e, a primeira visita dela ao mar. Thoet havia lhe relatado varias vezes sobre experiências extraordinárias sobre o oceano e seu regente, Seand. Thirf sorriu ao se lembrar.

Ao voltar seu olhar para o sudoeste. “Casa”. Pensou. As montanhas Fild pouco apareciam no horizonte, pequenas perto da visão que tinha do vulcão Brêod.

- Vamos – Augusth rompeu sua distração. -, nossos cavalos estão em um estábulo nas proximidades do cais.

Thirf olhou pela ultima vez o magnífico castelo voador, que agora estava sobre o oceano norte. Arregalou os olhos quando Seand saltou das profundezas e planou sobre o castelo para depois voltar para as águas, sua aparência era de uma serpente enorme, com finas membranas no final de sua calda e sua cabeça parecia a de um dragão. Escamas azuis cobriam toda a extensão do seu longo corpo.

- Viu aquilo? – Perguntou Thirf entusiasmado.

- Vi o quê? – Devolveu a pergunta para Thirf.

- Seand! Ele saltou por cima do castelo e... – Ele foi interrompido por um riso forçado de Augusth.

Thirf levou todo o caminha até o estábulo tentando convencer Augusth de que testemunhara. O estábulo ficava em frente a uma taberna chamada “A Bigorna”.

- Que tal nós experimentarmos a cerveja desse lugar? – Perguntou Augusth

- Augusth... Nos já nos demoramos demais...E também não temos dinheiro. – Argumentou Thirf.

- A caravana dos guerreiros deve estar em Aláguilan nesse tempo, e, um hiná de ouro já deve servir pra pagar algumas canecas para nós dois...

Thirf bufou.

- Vamos lá... – Disse ele dando um tapinha no ombro do jovem.

- Uma caneca, Augusth, somente uma... – Augusth sorriu e o puxou para dentro do recinto.

CAP. VII

Capítulo.VII.

- Arqueiros! – Gritou o Mestre, ele estava de pé em cima de uma porção caixas, a sua volta estavam alguns guerreiros com pequenas armaduras e uns poucos arqueiros sobre os telhados das casas e escondidos nas árvores, que apontaram suas armas na direção do bosque ao comando do velho.

O som da marcha inimiga era quase rítmico, quanto mais esse som aumentava, o coração do oráculo palpitava mais rápido. “Eles não devem voltar... Eles não devem voltar!”. Ele repetia mentalmente.

- Como você sabe que não são mercadores? – Perguntou Augusth.

- Mercadores não viajam durante a noite... – Respondeu o garoto retirando a espada do chão e indo até Lanero.

- O que acha que está fazendo? – Indagou o arqueiro puxando-o pelo braço.

- Me vingando... – Disse o garoto.

- Se vingando! – Gritou Augusth ao empurrar Thirf para longe do cavalo. – Vai morrer antes mesmo de entrar no bosque! Você acha que era isso que seu irmão queria pra você... – Continuou ele.

- Não venha me falar do que me irmão queria! – Esbravejou Thirf.

- E se você morrer... Quem vai lavar a honra de Thoet? – O arqueiro lançava um olhar fulminante para Thirf. – Sua morte será em vão... – Continuou Augusth em um tom mais calmo.

- E você Augusth? – Perguntou o garoto. – Não quer defender a sua cidade? Larbah foi seu lar e é lá que todas as pessoas que você ama moram... – Disse Thirf em um tom melancólico.

- Temos que ir... – Disse Augusth friamente.

- E quanto a Mylla? – Thirf ficava mais tenso a cada segundo.

Naquele momento, Augusth fechou os olhos e lembrou de sua amada. Ela tinha cabelos loiros e lisos, e um lindo rosto. Os olhos do arqueiro se encheram de lágrimas. – Não podemos voltar... – Disse ele deixando uma lagrima escorrer pelo seu rosto.

- Claro que podemos! – Gritou o garoto.

- Não podemos! – Os punhos de Augusth estavam cerrados e sua respiração acelerada. – Não podemos voltar... – Continuou o arqueiro.

- O que esta dizendo? – Perguntou Thirf indo até ele.

- Parem... – Disse um homem de cabelos negros e uma enorme armadura preta com adornos dourados. Ele estava a alguns metros da saída leste do bosque, atrás dele, vinham cerca trinta guerreiros e algumas criaturas grandes e negras com escudos de prata e grotescas marretas.- Hoje... Conquistaremos o poderoso orbe de Aljazév para os Anjos do Apocalipse... – Disse ele virando-se para as tropas: - Não tenham piedade, ele nos traiu, traiu a nossa ordem, nossa honra e traiu novamente os que são seus aliados... Não deixem nada barrar o caminho de nosso sucesso!

Ao falar isso, uma onda de animo tomou conta das tropas que começaram a gritar e bater suas espadas nos escudos produzindo um barulho ensurdecedor.

- Artch! – Berrou alguém após os gritos.

O homem de cabelos negros começou a olhar ao seu redor até ver um menino maltrapilho correndo até ele.

- Artch... – Disse o menino ao chegar diante do homem. – Mude a formação... Os dalgroms disseram que eles têm muitos arqueiros e dez ou quinze guerreiros nas tropas de infantaria.

- Obrigado, mande-os continuarem sobrevoando a área caso precisarmos. – Disse Artch passando a mão na cabeça do menino que voltou correndo pelo bosque.

- Atenção homens! – Anunciou o homem desembainhando uma espada de lamina longa e arqueada. – Recebia a informação que eles tem arqueiros... Sejam rápidos e cuidem-se...

- Não vai mudar a formação? – Perguntou uma criatura negra com enormes chifres que a deixavam um pouco maior que um ogro adulto.

- Não será preciso. – Respondeu Artch em tom confiante. – Mantenha suas tropas na saída leste do bosque.

- Chzah. – Respondeu o monstro.

- Avançar. – Ordenou o homem para suas tropas humanas, que reiniciaram sua marcha.

- Não posso explicar agora, temos que sair daqui... – Disse o arqueiro montando em Alkui.

A face de Thirf demonstrava surpresa e preocupação. “Por que?” Se perguntava o garoto. – Claro... – Disse Thirf com um leve sorriso nos lábios ao caminhar até Lanero.

- Ataque! – Gritou o homem de cabelos negros ao ficarem a alguns metros da saída.

Obedecendo a suas ordens, os guerreiros saíram em disparada. Artch estava à frente, seu braço direito segurava sua espada que riscava o chão enquanto ele corria.

Umas chuvas de flechas os receberam na entrada da vila, matando três guerreiros com tiros certeiros. Mesmo assim, eles não diminuíram a marcha.

- Guerreiros! – Gritou o Mestre.

Homens e mulheres avançaram sem medo, alguns destes, carregavam simples machados de lenhador e outros, apenas pedaços de pau e pequenas espadas.

O terreno era acidentado e cheio de morros e cavidades.

Outra chuva de flechas caiu sobre as tropas de Artch, agora, matando cinco homens.

Alguns poucos metros separavam os dois exércitos.

- Vamos... – Disse o arqueiro reiniciando a cavalgada em direção ao deserto.

- Não... – Sussurrou Thirf fazendo a volta.

- Thirf, não! – Gritou o arqueiro indo atrás do garoto.

Um enorme estrondo pode ser ouvido quando as duas tropas colidiram, o céu estava vermelho como o sangue que começava a cair ali.

- Dalgroms! – Gritou um homem pequenino que apontava em direção há cidade.

Ao mesmo tempo, três dalgroms montaram em suas feras e iniciaram vôo sobre o bosque, dois dalgroms estavam montados em dragões do fogo e outro possuía um dragão do vento.

O Mestre estava com a mão aberta, sua palma brilhava e às vezes exalava uma espécie de luz quando ele pronunciava certas palavras. Essas pequenas luzes faziam os que a tocavam ficarem temporariamente cegos, facilitando o ataque das tropas de Larbah.

Um som monstruoso vindo dos céus encheu o ar da batalha, gelando o sangue de um dos arqueiros que estava posto em cima de um dos telhados da vila. Assustado, o jovem esticou mais a corda do arco que estava firme em suas mãos.

Descendo em um vôo rasante, um dragão do fogo despencou na direção do jovem arqueiro, que disparou uma única flecha. Em um movimento ágil, o dragão desviou da flecha e agarrou o arqueiro entre os afiados dentes.

- Tzopo! – Gritou o Mestre apontando sua palma em direção ao dragão, e dela saiu uma pequena bola de fogo.

O animal arremessou o corpo já sem vida do garoto e, com sua boca, também disparou uma bola de fogo na direção do velho. Uma enorme e brilhante explosão se fez quando os dois projeteis flamejantes colidiram no ar.

A enorme criatura girou e bateu um pouco as assas para ganhar altura, passando lentamente ao lado dos dois outros dragões. O segundo dragão do fogo desceu das nuvens lentamente, e, da mesma forma que o outro, disparou uma rajada de fogo na direção do Mestre.

- Protvhus! – Gritou o velho esticando os braços. Como chuva, as chamas colidiram em uma barreira invisível que estava em volta do mago e se desfizeram.

Frustrado, o dalgrom puxou as rédeas do animal, que pendeu para a esquerda e bateu de leve as assas para não cair.

Ao virar as costas para o Mestre, o velho gritou apontando a palma para o dragão:

- Tzopo! – Nisso, outra bola de fogo saiu de sua mão, agora maior e mais rápida. A esfera acertou em cheio a fera que foi envolvida pelas chamas.

Sem conseguir controlar seu vôo, o animal colidiu com a copa de uma arvore e depois caiu morto no chão.

O dragão do vento já fazia meia-volta, quando o Mestre abriu a sua outra mão e apontou para ele dizendo:

- Pemo... – Fazendo milhares de pontos azul-brilhante saírem de sua palma e irem de encontro com o animal lentamente.

Desesperado o dragão começou a voar mais e mais alto, porem, sem sucesso.

Ao tocarem as duras escamas do animal, as pequenas luzes se convertiam em cristais de gelo, fazendo a criatura parar lentamente de se mover, até paralisar seu bater de assas e cair no chão virando vários pedaços.

Quando o Mestre percebeu, o primeiro dragão que havia lhe atacado estava metros acima do bosque.

- Ragehs! – Gritou Artch um pouco depois de cravar a espada num inimigo.

- Alrrav! – Berrou a criatura erguendo uma enorme marreta de pedra na sua mão direita e saiu correndo de dentro do bosque na direção da batalha.

Obedecendo as ordens, outros três ragehs que estavam no bosque fizeram o mesmo que o outro.

Ao chegar diante de um humano, a criatura lhe acertou com a marreta bem no tórax, fazendo-o voar alguns metros longe.

O Mestre sem demora desembainhou a espada entregada por Thirf e a ergueu gritando:

- Smotr envot! – Ao pronunciar essas palavras, a lamina da espada começou a brilhar. O vento começou a soprar mais forte, as nuvens acima do velho passaram a ficar cinzentas e relampejantes. Um trovão ensurdecedor seguido de alguns trovões abafou o som das espadas colidindo.

Sangue esverdeado molhou a gama quando uma flecha perfurou a barriga de um rageh, o animal arrancou a seta, fazendo ainda mais sangue cair. Olhou para uma arvore onde podia ver um arqueiro. Rugindo, a criatura jogou a marreta com uma força surpreendente atingindo o jovem.

Outro trovão fez se ouvir. Artch olhou para o e percebeu que o vermelho sangue havia sido substituído por nuvens cinzentas que serpentavam em torno de uma nuvem negra que ficava bem acima do Mestre. “O que será isso?”. Pensou ele.

Como se estivesse respondendo a pergunta que assolava a mente de Artch, um raio branco desceu dos céus e atingiu em cheio o enorme monstro negro espalhando seu corpo em vários pedaços. O homem de cabelos negros arregalou os olhos e ordenou:

- Peguem o velho!

Agarrando suas gigantescas armas, as criaturas partiram fortemente sobre as tropas de Larbah para chegar até o velho.

Um novo raio caiu fazendo outro rageh em pedaços.

Um monstro conseguiu furar o bloqueio humano e em passadas longas e rápidas foi em direção ao velho.

O garoto sentia suas pálpebras pesarem mais a cada metro avançado na planície.

“Você não pode voltar lá”.Pensava Augusth. – Desculpe amigo... – Sussurrou ele ao ver o garoto despencar sobre o cavalo que foi reduzindo a velocidade gradualmente.

Em um movimento rápido, o velho pulou das caixas e jogou a espada no rageh.

O animal rebateu a arma fazendo ela voar longe.

Imediatamente, o oráculo juntou as palmas de suas mãos e gritou:

- Gli...- Foi interrompido pela criatura, que agarrou com uma de suas mãos a cabeça do velho e a encosto em uma parede de maneira que seus pés não tocassem o chão. - Haimah le ghravv... – Dizia a criatura fazendo com que seus dentes amarelados e pontiagudos aparecessem. Como se seus dedos em volta da cabeça do Mestre já não o deixasse com medo o bastante.

- Olhem! Pegaram o Mestre! – Gritou um dos homens de Larbah ao ver o monstro erguendo seu gigantesco punho fechado.

Por um segundo, a batalha pareceu parar. Quando Artch observou a cena, começou a gesticular e gritar: - Não o mate! Não o mate! – Repetia insistentemente até que o rageh colocou o homem no chão.

Como se estivessem recebendo ordens, os soldados da vila pararam de atacar deixando espaço livre para o homem de cabelos pretos ir até onde o velho estava.

“Tolos, lutem!” Pensava quase sendo sufocado pela mão do monstro.

Lentamente, as tropas de Artch foram capturando os inimigos.

- Tragam alguém aqui! – Gritou Artch. Segundos depois, um soldado baixinho jogou o homem diante dele. Sangue pingava de sua cabeça, cabelos grisalhos caiam sobre suas costas. Seus olhos azuis eram penetrantes, quase místicos. Ele estava ajoelhado no chão de pedra, usava uma simples camisa de algodão marrom, uma fina corda atava suas mãos atrás das costas.

- Onde esta Thoet? – Artch perguntava a multidão.

O silêncio pairou.

- Tudo bem... - Ele tornou a falar. Respirou o fresco ar da madrugada antes de cravar e retirar rapidamente a espada do homem que estava de joelhos em um movimento ligeiro.

O pobre caiu de peito nas pedras.

Mais dois senhores e uma senhora tiveram o mesmo destino.

- Traga outro. – Artch apontara para o povo com um pouco de exaustão.

Outra vez, lá vinha o baixinho, agora trazendo uma senhora de uns setenta e poucos anos e a jogou como fizera com os outros.

- Mãe! – Gritou um jovem. – Por favor, não a mate! – Berrava ele pondo-se em pé, seu rosto sujo estava molhado por lagrimas. – Você quer saber onde esta Thoet? – Desesperado.

Artch se permitiu um sorriso.

- Ele deve estar em Anasthed!... – O homem de cabelos negros arregalou os olhos ao ouvir.

- O que esta dizendo? – Dizia Artch dava um passo à frente evidentemente tenso.

- Ele morreu! A dois ou, três dias... – O jovem tremia.

Artch rangeu os dentes antes de girar nos calcanhares e cortar a cabeça da velha.